Trump anuncia sanções contra Tribunal Penal Internacional e amplia tensão com aliados europeus

Medida anunciada nesta sexta-feira (9) pode restringir serviços financeiros e tecnológicos da corte; decisão ocorre no mesmo dia em que Navi Pillay recebeu o Nobel da Paz de 2026.

Foto: Official White House Photo by Andrea Hanks

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), ampliando o confronto com a instituição responsável por julgar crimes internacionais graves. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e prevê restrições que podem afetar as operações financeiras e tecnológicas do tribunal.

A decisão provocou críticas de representantes da corte e de organizações de direitos humanos. O TPI afirmou que as sanções representam uma tentativa de interferir em suas atividades, enquanto autoridades e países aliados da instituição manifestaram preocupação com os impactos sobre a Justiça internacional.

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que a jurista sul-africana Navi Pillay recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026. Ela foi reconhecida por sua atuação na promoção da paz, do direito internacional e da responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

Nobel da Paz coloca Navi Pillay no centro do debate internacional

A escolha de Pillay pelo Comitê Norueguês do Nobel ocorreu em um momento de pressão sobre instituições internacionais. Ex-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, ela também atuou em tribunais internacionais e participou de iniciativas relacionadas à investigação de violações de direitos humanos.

A premiação reforçou o debate sobre o papel do direito internacional e das instituições responsáveis por investigar crimes graves, em meio às divergências entre o governo americano e o TPI.

Governo Trump cita soberania dos Estados Unidos

Em comunicado, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Trump não permitirá que o Tribunal Penal Internacional julgue cidadãos americanos. Washington contesta a jurisdição da corte sobre os Estados Unidos, que não são parte do Estatuto de Roma, tratado que criou o tribunal.

O governo americano também critica investigações envolvendo cidadãos dos Estados Unidos e aliados, incluindo autoridades israelenses. As novas sanções podem alcançar relações comerciais e prestação de serviços à instituição, com possíveis efeitos para empresas e entidades que mantêm vínculos com o tribunal.

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