SAJ: Vereador Uberdan aponta supostos pagamentos de propina em obra da Estação da Moda na Feira Livre

Vereador afirma que empresa teria sido pressionada a pagar 20% do contrato e apresenta cópias de transferências bancárias; parlamentar pretende pedir abertura de comissão de investigação.

Foto: Reprodução/ YouTube

O vereador Uberdan Cardoso denunciou, durante sessão da Câmara Municipal de Santo Antônio de Jesus, nesta terça-feira (3), indícios de um suposto esquema de pagamento de propina relacionado à construção do galpão Estação da Moda, na Feira Livre do município. Segundo o parlamentar, o dono da empresa responsável pela obra teria sido procurado por agentes ligados à Prefeitura e pressionado a pagar 20% do valor do contrato.

Durante o pronunciamento, Uberdan afirmou que recebeu um empresário da cidade, que teria relatado a situação e apresentado documentos sobre as movimentações financeiras. O vereador disse que recebeu uma cópia do contrato da obra e comprovantes de transferências bancárias que, na avaliação dele, justificariam a abertura de uma investigação “O empresário me procurou, me trouxe uma cópia do contrato do galpão de confecções, do galpão da feira chamado Estação da Moda”, declarou.

De acordo com o relato apresentado pelo vereador, o empresário teria contado que o proprietário da NJX Construtora, empresa vencedora da licitação, foi procurado por pessoas ligadas à administração municipal para pagar 20% do valor contratado “Isso é o que o empresário me diz: 20% de propina”, afirmou Uberdan. Segundo ele, o suposto pagamento teria sido aceito diante da promessa de que a construtora seria contemplada em futuras licitações.

O parlamentar acrescentou que a empresa não teria conseguido arcar com os custos da obra e com o suposto repasse. Conforme a versão apresentada por ele, o responsável pela construtora chegou a pedir dinheiro emprestado ao empresário que posteriormente procurou o vereador.

Uberdan relatou que foram emprestados R$ 800 mil, com uma propriedade no litoral norte apresentada como garantia. Ainda segundo o vereador, mesmo com o empréstimo, a empresa não conseguiu concluir a obra.

Vereador afirma ter cópias de transferências bancárias

Ao apresentar os documentos durante a sessão, Uberdan afirmou ter cópias de transferências feitas pela NJX Construtora e por outra empresa, a Lonny Serviços de Limpeza, que, segundo ele, pertencem ao mesmo proprietário.

O vereador mencionou depósitos de R$ 10 mil, R$ 30 mil e R$ 100 mil, além de pagamentos que, na avaliação dele, corresponderiam a aproximadamente 20% do valor total da obra “Claro que alguém vai dizer para mim assim: ‘Mas vem cá, a empresa pode ter feito esse depósito, essa transferência bancária por outro motivo’. É bem verdade, pode ter feito isso”, ponderou.

Em seguida, Uberdan afirmou que considera necessário apurar a relação entre os valores transferidos e as medições da obra. Ele também declarou que os pagamentos teriam sido direcionados a pessoas ligadas a integrantes da administração municipal, mas não apresentou, durante o pronunciamento, comprovação independente que permita confirmar essa relação.

Contrato da obra chegou perto de R$ 14 milhões

Durante a sessão, o vereador também questionou os valores envolvidos na construção da Estação da Moda. Segundo os números mencionados por ele, o contrato inicial foi de R$ 12.117.009,00 e, após um aditivo, o custo teria se aproximado de R$ 14 milhões.

Uberdan ainda relembrou que visitou o espaço antes da inauguração e afirmou ter apontado problemas nas condições do imóvel. “Fizeram a força-tarefa de última hora e aí remendaram lá e entregaram o galpão”, disse.

Ao final do pronunciamento, o vereador ressaltou que não estava afirmando a existência de um crime, mas defendendo a apuração dos indícios apresentados “Eu não estou afirmando que há o ilícito, porque todo mundo tem direito de defesa”, declarou.

O parlamentar informou que pretende protocolar um pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. Ele também afirmou que o empresário teria procurado outros vereadores e autoridades para relatar o caso “Se há esse forte indício de irregularidade, essa Casa tem obrigação de abrir uma comissão especial de inquérito”, defendeu.

Até o momento, as informações apresentadas pelo vereador correspondem a uma denúncia que ainda precisa ser apurada. A eventual responsabilidade de agentes públicos ou de outras pessoas envolvidas depende de investigação e comprovação dos fatos.

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