Violência contra a mulher é considerada o crime mais grave do Brasil por 61% da população, aponta Datafolha

Pesquisa revela preocupação crescente com agressões contra mulheres, mas mostra que parte da população ainda não reconhece todas as formas de violência previstas em lei

Foto: Reprodução/CNJ

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo Instituto Datafolha, em parceria com o Movimento Mulher 360, revelou que 61% dos brasileiros consideram a violência contra a mulher o crime mais grave do país. O percentual supera a preocupação com outros delitos, como o tráfico de drogas, citado por 16% dos entrevistados, e os assaltos à mão armada, mencionados por 10%.

O levantamento evidencia a crescente percepção da sociedade sobre a gravidade das agressões praticadas contra mulheres, tema que tem ganhado destaque nas discussões sobre segurança pública e direitos humanos.

Apesar da ampla condenação da violência física e sexual, a pesquisa mostra que muitas formas de agressão previstas na Lei Maria da Penha ainda não são plenamente identificadas pela população. Segundo os dados, 42% dos entrevistados não consideram necessariamente violência o fato de um marido controlar o salário ou os recursos financeiros da companheira, situação caracterizada pela legislação como violência patrimonial.

Por outro lado, práticas como humilhação pública e relações sexuais forçadas dentro do casamento foram amplamente reconhecidas como formas de violência, sendo rejeitadas por 94% e 95% dos entrevistados, respectivamente.

O estudo também apontou a permanência de pensamentos que responsabilizam as vítimas pelos casos de agressão. De acordo com a pesquisa, 61% dos brasileiros concordam que muitas situações de violência acontecem em razão de escolhas equivocadas na seleção do parceiro. Esse entendimento foi compartilhado por 57% das mulheres entrevistadas e por 65% dos homens.

Especialistas alertam que esse tipo de percepção pode dificultar denúncias e contribuir para a manutenção de ciclos de violência, ao transferir parte da responsabilidade do agressor para a vítima.

A pesquisa reforça a necessidade de ampliar campanhas educativas sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher e fortalecer ações de conscientização para garantir a proteção e os direitos das vítimas.

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