Feijão é nutritivo, mas excesso pode causar desconforto e prejudicar absorção de nutrientes, alertam especialistas

Alimento tradicional na mesa do brasileiro, o feijão oferece benefícios à saúde, mas seu consumo em excesso pode trazer efeitos colaterais, especialmente digestivos.

Foto: Freepik

O feijão é uma excelente fonte de proteínas, fibras e minerais como ferro, zinco e cálcio. Porém, quando consumido em grandes quantidades, pode gerar impactos negativos no organismo. A nutricionista Jussara Pessôa, coordenadora do curso de Nutrição da Uninassau Boa Viagem, alerta para os riscos do exagero, especialmente entre vegetarianos, veganos ou pessoas com maior sensibilidade intestinal.

“Apesar de nutritivo, o feijão pode causar gases e inchaço abdominal por conta dos oligossacarídeos, carboidratos fermentáveis que são metabolizados por bactérias no intestino”, explica. Pessoas com condições como síndrome do intestino irritável também podem sentir desconfortos digestivos com mais intensidade.

Antinutrientes e absorção de minerais

Um dos fatores que contribuem para possíveis efeitos negativos do feijão em excesso são os chamados antinutrientes, como os fitatos, que podem inibir a absorção de ferro, zinco e cálcio — especialmente quando o feijão é consumido cru ou mal cozido.

Para reduzir esses compostos, a nutricionista orienta:

“Deixe o feijão de molho por 8 a 12 horas, trocando a água de uma a duas vezes. O líquido deve ser descartado antes do cozimento, o que ajuda a eliminar tanto os antinutrientes quanto os compostos que causam gases.”

Impactos nos rins e no intestino

O consumo exagerado do feijão pode afetar os rins, principalmente em pessoas com condições preexistentes, e contribuir para anemia ferropriva, uma vez que o ferro presente no feijão (do tipo não-heme) tem baixa absorção — ainda mais se a dieta for pobre em vitamina C ou rica em fitatos.

Pacientes com colite, doença inflamatória intestinal ou outros problemas gastrointestinais também devem observar a tolerância individual ao alimento.

Benefícios se consumido na medida certa

Por outro lado, o feijão possui um baixo índice glicêmico, o que contribui para o controle da glicose no sangue, sendo um bom aliado de pessoas com diabetes ou resistência à insulina. Suas fibras também auxiliam no bom funcionamento intestinal e na sensação de saciedade.

Qual a quantidade ideal?

A recomendação média é de cerca de uma concha (100g a 150g) de feijão cozido por refeição. Para pessoas com maior gasto energético, como atletas, a porção pode ser ajustada, sempre com orientação de um profissional de saúde.

“É essencial alinhar o consumo de feijão com as necessidades individuais e, se possível, contar com o acompanhamento de um nutricionista, especialmente em casos de dietas restritivas ou condições clínicas específicas”, reforça Jussara.

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