Professores de Lauro de Freitas viralizam com paródia crítica à prefeita em meio à greve

Usando humor e música, servidores protestam contra o não pagamento do piso salarial e reforçam mobilização da categoria, mesmo após decisão judicial declarar greve ilegal

Em meio à greve dos professores da rede municipal de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, um vídeo de protesto bem-humorado viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (8).

Em assembleia realizada no Centro Administrativo de Lauro de Freitas (CALF), docentes usaram uma paródia da música “Do Pau Miúdo Não”, hit do pagodeiro Tinny Flow, para criticar a prefeita Débora Régis (União Brasil) pela não implementação do piso nacional do magistério.

A performance, encenada pelos servidores e membros do sindicato Shayana Busson e Márcio Loureiro, gerou repercussão ao misturar crítica política com humor e criatividade. A letra adaptada ironiza a recusa do pagamento:
— “Como se chamas?”
— “Meu nome é Deb.”
— “Você, servidor todo ativista assim, quer o quê?”
— “Eu só quero receber meu piso, princesa.”
— “Não pago o piso, não!”

A professora Shayana explicou que a ideia foi transformar a mobilização em algo mais leve e acessível. “Eu já tinha vontade de me caracterizar como a prefeita, com a blusa azul e o capacete, que são sua marca registrada. A paródia tornou nosso protesto mais lúdico e menos sofrido para a categoria”, contou.

Já Márcio, psicólogo de formação, apareceu caracterizado como um vereador aliado da prefeita, que recentemente chamou professores de “vagabundos” e “maconheiros”. “Usamos o humor político como forma de denúncia”, destacou. A repercussão foi tão grande que o sindicato solicitou que os dois gravem um clipe e apresentem outras paródias já preparadas.

Greve e judicialização

Apesar do tom descontraído, o cenário em Lauro de Freitas é tenso. No mesmo dia do protesto, a Justiça declarou a greve da categoria ilegal, determinando o retorno imediato às aulas. A decisão apontou a falta de requisitos formais obrigatórios, como ata de assembleia com lista de presença.

A Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (Fetrab) manifestou apoio aos professores. Já a Prefeitura alega que os salários pagos atualmente estão 43% acima do piso nacional e que ofereceu um reajuste de 2%, recusado pelos profissionais.

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