A Bahia realizou 519 cirurgias reparadoras de mama entre março e 7 de julho deste ano, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), um aumento de 47,44% em relação ao total registrado em 2024.
Os procedimentos foram viabilizados pelo programa estadual Saúde Mais Perto, que tem como foco atender mulheres com gigantomastia – condição caracterizada pelo crescimento excessivo das mamas, frequentemente superior ao tamanho 48 do sutiã.
A iniciativa vem mudando a realidade de mulheres como Ingrid Pereira Mascarenhas, de 31 anos. Recepcionista e moradora de Salvador, ela enfrentava limitações físicas e dores constantes por conta do volume dos seios. Após anos de espera, foi contemplada no mutirão do Hospital Estadual 2 de Julho, localizado no bairro da Barra, e passou pela cirurgia no final de maio. Mais de 1,2 kg de tecido mamário foram retirados.
“Minha autoestima mudou completamente. Era algo que sempre sonhei, mas achava que nunca teria acesso”, contou Ingrid, emocionada. Ela foi uma das 227 pacientes beneficiadas no hospital, sob coordenação do cirurgião plástico Guilherme Queiroz, responsável pelo serviço na unidade.
Segundo Queiroz, a indicação da mamoplastia redutora vai além da estética. “O que define a cirurgia como reparadora é o impacto funcional da mama sobre a saúde. Muitas pacientes apresentam escoliose, hérnias e dores crônicas, que comprometem a qualidade de vida”, explicou. Casos com numeração inferior ao padrão também são atendidos, desde que exista comprometimento ortopédico comprovado.
As diretrizes do programa estabelecem critérios como o Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 30, uma medida para reduzir os riscos do procedimento e garantir melhores resultados. Mulheres que desejam cirurgias puramente estéticas, como levantamento de mamas sem problemas funcionais, não se enquadram nos critérios do SUS.
A diretora da Superintendência de Regulação da Sesab, Fernanda Lima, destacou que a ação ajudou a reduzir a demanda reprimida por esse tipo de procedimento. “Ao ampliar a oferta, conseguimos alcançar mais mulheres com indicação real e que antes aguardavam na fila por muito tempo”, afirmou.
Atualmente, os procedimentos são realizados em unidades públicas de Salvador, Camaçari, Feira de Santana, Nazaré, Porto Seguro e Brumado. Para ter acesso, a paciente precisa estar cadastrada no Sistema Lista Única, por meio da Secretaria de Saúde do município onde reside, apresentando RG, CPF, cartão do SUS, comprovante de residência e a indicação médica.


