Trump planejava enviar emissários ao Brasil para questionar urnas, mas governo brasileiro negou vistos

Jornal dos EUA afirma que missão buscaria discutir a segurança do sistema eleitoral antes das eleições; Planalto teme tentativa de deslegitimar as urnas

O governo do presidente Donald Trump planejava enviar dois integrantes do alto escalão da Casa Branca ao Brasil para questionar a segurança das urnas eletrônicas antes das eleições presidenciais de outubro. No entanto, o governo brasileiro negou os vistos da delegação, segundo informações divulgadas pelo jornal The Washington Post.

De acordo com a publicação, a missão deveria chegar a Brasília nos próximos dias. O grupo seria formado por Riley Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos indicados pela gestão Trump.

Além disso, fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que a visita ocorreria em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Planalto teme tentativa de deslegitimar o sistema eleitoral

Segundo a reportagem, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a missão poderia resultar na elaboração de um relatório para colocar em dúvida a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Questionado pelo jornal, o Departamento de Estado confirmou a intenção da viagem. No entanto, não detalhou qual seria o objetivo oficial da missão.

O tema das urnas eletrônicas voltou ao centro do debate após críticas recorrentes feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por aliados.

Flávio Bolsonaro também questiona as urnas

Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a contestar o sistema eleitoral brasileiro.

Recentemente, o parlamentar afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam ligação com a empresa Smartmatic, criada por venezuelanos.

No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu a informação. A Corte esclareceu que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras.

Sistema eleitoral nunca teve fraude comprovada

Desde a adoção das urnas eletrônicas, em 1996, não existe comprovação de fraude nas eleições brasileiras.

Segundo o TSE, diversas auditorias já foram realizadas ao longo dos anos. Além disso, o Ministério Público Eleitoral e estudos independentes também analisaram o sistema sem identificar manipulações.

Dessa forma, a Justiça Eleitoral reforça que as urnas são auditáveis antes, durante e após cada eleição.

Crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos aumenta

Por outro lado, a negativa dos vistos ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois países.

Recentemente, o governo Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros. A justificativa apresentada pelos Estados Unidos envolve alegações relacionadas a práticas comerciais consideradas desleais, além de críticas ao Pix e às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo plataformas digitais.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que continuará buscando uma solução por meio do diálogo.

Além disso, Lula declarou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos possuem forte motivação política e criticou a aproximação entre integrantes da família Bolsonaro e o governo norte-americano.

Lei da Reciprocidade segue em análise

Por fim, o governo brasileiro não descarta utilizar a Lei da Reciprocidade para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil continuará negociando para evitar prejuízos às exportações nacionais. No entanto, o governo afirma que manterá todos os instrumentos legais disponíveis para proteger a economia brasileira, caso as negociações não avancem.

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