A postura do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), durante uma das semanas mais delicadas para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde o fim de seu mandato, tem gerado incômodo entre aliados próximos. Apesar de ser um dos principais nomes da militância digital bolsonarista, sua atuação foi considerada discreta por integrantes da base — percepção vocalizada nesta sexta-feira (25) pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em entrevista à Revista Oeste.
“Da minha parte, não tem problema nenhum. Mas eu poderia estar falando muito mais dele se estivesse mais engajado com o trabalho que estamos fazendo aqui. Se ele pudesse ser mais ativo nas redes sociais, acho que ajudaria muito”, afirmou o filho do ex-presidente.
Nikolas, o deputado federal mais votado do Brasil em 2022, publicou dezenas de conteúdos desde a deflagração da operação da Polícia Federal contra Bolsonaro, mas, para parte dos aliados, o impacto foi modesto se comparado a momentos anteriores de mobilização, como na chamada “crise do Pix”, em janeiro, quando um vídeo do mineiro atingiu mais de 335 milhões de visualizações.
“Ajuda muito quando quer”, dizem aliados
Nos bastidores da bancada, há quem diga que Nikolas “ajuda muito quando quer”, mas que desta vez “ficou devendo”. A expectativa era de uma atuação mais incisiva, especialmente após a decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF) que impôs medidas cautelares contra Bolsonaro.
A presença breve de Nikolas em Brasília também gerou interpretações. O deputado foi à capital federal apenas para participar de uma entrevista coletiva na Câmara em apoio a Bolsonaro, retornando a Belo Horizonte no mesmo dia — atitude vista por alguns colegas como sinal de distanciamento político.
Por outro lado, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), defendeu Nikolas e negou qualquer crise interna:
“O Nikolas esteve lá conosco essa semana, está empenhado na comunicação, está montando estratégia, padronizando, unificando. Tá fazendo um trabalho incrível. Se alguém falou dele, é muita injustiça. Está trabalhando demais.”
Aliados dizem que Nikolas segue engajado
Fontes próximas ao parlamentar também rechaçaram as críticas, destacando que Nikolas reagiu ainda na sexta-feira à operação da PF com a publicação “A Venezuela está com inveja”, em tom irônico. No domingo, ele publicou um vídeo de 14 minutos questionando a legalidade das medidas impostas a Bolsonaro, criticando o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Me parece que no Brasil não tem mais nada mais importante para poder se combater, tipo, sei lá, crime organizado”, ironizou no vídeo.
Apesar disso, a pressão sobre as lideranças digitais do bolsonarismo cresce, em um momento em que parte da base espera mobilização mais agressiva em defesa de Bolsonaro, sobretudo diante do avanço das investigações da Polícia Federal.
A reportagem procurou o deputado Nikolas Ferreira e sua assessoria, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.


