Jovem mãe groenlandesa tem filha retirada uma hora após parto na Dinamarca

Caso gera protestos internacionais após suposta violação de lei que protege pessoas de origem groenlandesa de testes de competência parental

Foto: Ivana Nikoline Brønlund/Facebook/Reprodução

Ivana Nikoline Brønlund, de 18 anos, mãe e ex-jogadora da seleção de handebol da Groenlândia, teve a filha recém-nascida retirada de seus cuidados apenas uma hora após o parto em Hvidovre, na Dinamarca.

A decisão da prefeitura de Høje-Taastrup provocou indignação pública e protestos internacionais, já que, segundo especialistas, violaria uma lei vigente desde maio de 2025 que impede o uso de testes de “competência parental” em pessoas de origem groenlandesa.

As autoridades locais justificaram a separação com base no resultado de um teste psicométrico conhecido como FKU (forældrekompetenceundersøgelse), que avalia a capacidade dos pais de cuidar dos filhos.

A lei, porém, proíbe a aplicação desses exames a cidadãos groenlandeses, uma medida adotada após críticas de organizações e ativistas que apontam caráter discriminatório e falta de respeito ao contexto cultural dos inuítes.

Apesar disso, o município manteve a decisão alegando que Ivana “não era groenlandesa o suficiente”, mesmo sendo nascida em Nuuk e filha de pais groenlandeses. A jovem relatou que os testes começaram em abril, antes do parto, e terminaram em junho, após a lei estar em vigor, e que já sabia do risco de perder a filha três semanas antes do nascimento.

Ivana só pôde ver Aviaja-Luuna uma vez após o parto, por apenas uma hora, sem poder tocar ou trocar fraldas. Atualmente, a visitação está limitada a duas vezes por mês, durante duas horas, sempre sob supervisão. A jovem mãe recorreu da decisão, e o julgamento está marcado para 16 de setembro.

“Eu não queria entrar em trabalho de parto, porque sabia o que aconteceria depois. Eu mantinha minha bebê por perto enquanto ela estava na minha barriga, era o mais perto que eu conseguia chegar dela. Foi um momento muito difícil e horrível”, disse Ivana ao jornal The Guardian.

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