“Saio de casa todos os dias com o material do clube para vir trabalhar. Nesse dia (do 8 a 0) eu vim com outra camisa, porque até eu estava sentindo vergonha.”
A frase é de Rodrigo Chagas, ex-treinador do sub-20 rubro-negro, que agora assume o time principal do Vitória como técnico interino após a demissão de Fábio Carille. A saída do treinador ocorreu após a goleada histórica sofrida diante do Flamengo, por 8 a 0, na última segunda-feira (25).
Nesta quarta-feira (27), Rodrigo concedeu sua primeira coletiva de imprensa à frente do time, sendo apresentado pelo diretor Gustavo Vieira. O dirigente destacou a importância da experiência e identificação do profissional com o clube:
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“Infelizmente, a gente se depara com certos acontecimentos que nos colocam em uma situação delicada e que exige de nós muita responsabilidade. Responsabilidade perante a instituição, perante o torcedor e perante o curso num clube relevante como o Vitória”, afirmou Vieira.
“Em momentos como esse, é importante poder contar com profissionais como o Rodrigo, que já integrava a equipe técnica do clube, que carrega o sangue rubro-negro. Ele surgiu no Vitória como atleta e sempre demonstrou merecer a confiança da torcida. E não é diferente agora”, completou.
O desafio
Rodrigo não esconde que vive um momento único e difícil no clube:
“Não tenho dúvida que esse é o meu maior desafio, pela segunda vez aqui no clube. Me sinto desafiado sempre e acho que a gente está aqui para evoluir. Essa é minha sexta passagem pelo Vitória, três como atleta e a terceira hoje como treinador”, contou.
Apesar do peso da missão, ele demonstra confiança:
“Não gostaria de estar à frente nesse momento, porque queria o Vitória brigando por Libertadores e Sul-Americana. Mas nós, profissionais da área, temos que estar preparados. Vou trabalhar mais do que antes, porque o desejo de todos é fazer o Vitória voltar a ter grandes jogos, conquistar um grande resultado, uma vitória nesse primeiro momento.”
Carta branca para trabalhar
Rodrigo afirmou que o presidente Fábio Mota lhe deu total liberdade para implementar suas ideias:
“O presidente me deu carta branca para trabalhar, para que eu possa, dentro das minhas convicções, fazer o meu melhor. Em nenhum momento houve objeção. Isso é importante, ter a confiança de quem está à frente do clube. Desde quando eu saí lá atrás, nunca quis sair. Sempre quis permanecer. O Fábio sempre conversou comigo e, há muito tempo, tentava me repatriar”, revelou.
O treinador também lembrou da experiência recente pelo Porto Vitória, quando conseguiu reverter uma situação dramática:
“Tive um grande desafio esse ano pelo Porto Vitória. O time estava para cair, mas classificamos e chegamos à final. Psicologicamente, o time estava muito abalado. Espero fazer um trabalho ainda melhor aqui.”
Reconstrução emocional após o 8 a 0
Um dos principais obstáculos será recuperar o moral do elenco após a goleada sofrida no Maracanã. Rodrigo Chagas já traça estratégias para lidar com o aspecto psicológico do grupo, considerado essencial para reagir no Brasileirão.


