“Seremos a sua calamidade, seremos o seu pesadelo, e isso também significará a instabilidade de todo este continente. Por isso, o apelo é pela paz. Acalmem-se, senhores falcões dos Estados Unidos”, afirmou, na sexta-feira (29), a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante um evento no estado de Carabobo. A declaração foi feita em meio a uma jornada de alistamento voluntário para defender o país de supostas ameaças norte-americanas.
Segundo Rodríguez, os venezuelanos estão unidos, prontos e preparados para garantir a soberania nacional.
“Estamos prontos para defender a Venezuela em união nacional, em paz e tranquilidade, para garantir o nosso futuro. Que aqueles que estão no Norte [EUA], que pensam em uma agressão militar contra a Venezuela, saibam que vão se dar muito mal”, afirmou.
A vice-presidente acusou os Estados Unidos de criar “uma das calúnias mais terríveis”, com o objetivo de justificar uma intervenção para se apoderar dos recursos energéticos do país.
“A questão do arquiteto do ‘narcoestado’ é simplesmente uma grande calúnia. Mas não é novidade: é um padrão histórico dos EUA intervir em países que não são aliados, sempre que querem roubar seus recursos naturais”, disse.
Rodríguez recordou o episódio de 2002, quando a estatal petrolífera ficou paralisada por 62 dias durante a tentativa de golpe contra Hugo Chávez, gerando perdas de mais de US$ 25 bilhões.
“A Venezuela sabe, por isso, como é importante o alistamento dos trabalhadores da indústria de hidrocarbonetos. Temos consciência do que significa possuir as maiores reservas de petróleo e gás do mundo”, afirmou.
A dirigente também destacou que o bloqueio econômico imposto pelos EUA provocou uma migração induzida, mas ressaltou que a Venezuela já acumula 17 trimestres de recuperação.
“O que vai acontecer aos EUA será ainda pior. Se se atreverem a uma agressão, será muito pior para eles”, alertou.
Tensão militar e reação internacional
Na quarta-feira (27), o presidente Nicolás Maduro acusou os EUA de violarem o Tratado de Tlatelolco (1967) — que declara a América Latina e o Caribe como zonas livres de armas nucleares — ao enviarem navios lança-mísseis e fuzileiros navais para a região.
No dia 18 de agosto, Maduro ordenou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos, após os EUA aumentarem para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à sua prisão.
Em resposta, a Casa Branca afirmou estar preparada para “usar todo o seu poder” contra o fluxo de drogas para os EUA, incluindo envio de tropas e embarcações para o Caribe.
Segundo a CNN, os Estados Unidos começaram a deslocar 4.000 fuzileiros navais e reforçar sua presença militar com aviões-radar e três contratorpedeiros com capacidade antimísseis.
Diante da escalada, em 21 de agosto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para que Venezuela e EUA resolvam suas diferenças por meios pacíficos.


