Bissexual: entre estigmas e invisibilidade e liberdade — relatos dão voz à vivência de mulheres bi

Bissexualidade enfrenta invisibilidade e estigmas, mas relatos reforçam liberdade, autonomia e prazer além da heteronormatividade.

Dia da Visibilidade Bissexual: mulheres bissexuais falam a real sobre desejo, afeto, prazer e autoconhecimento — Foto: Acervo pessoal

Ainda hoje, homens e mulheres bissexuais enfrentam rótulos como indecisos, promíscuos ou “sem vergonha na cara”. Apesar da maior visibilidade LGBTQIA+ no mundo, a atração por mais de um gênero continua sendo alvo de incompreensão — inclusive dentro da própria comunidade.

O Manifesto Bissexual, lançado nos anos 1990 pelo coletivo norte-americano Bay Area Bissexual Network, define a identidade como fluída e em constante luta por reconhecimento. Dados de 2021 do Ipsos estimam que 4% da população mundial se declara bissexual, mas a invisibilidade ainda é um obstáculo. Muitas vezes, a sociedade exige “provas” da sexualidade, como ter múltiplas relações fixas ou experiências com gêneros diferentes.

Fetichização e rejeição

Mulheres bissexuais, em especial, relatam serem fetichizadas por homens heterossexuais e rejeitadas por parte das lésbicas, evidenciando a pressão para justificar a própria identidade.

Vozes da vivência bi

Para marcar o Dia da Visibilidade Bissexual (23 de agosto), ativistas e mulheres bissexuais compartilharam suas experiências:

  • Maressa Andrioli, 33 anos, fotógrafa, enxerga a bissexualidade como “liberdade e contracultura”. Para ela, a conexão emocional no sexo é central, e o universo do BDSM foi espaço de aceitação e experimentação.
  • Talitta Cancio, publicitária e pesquisadora, destaca que a sexualidade de mulheres bissexuais “não está à serviço do prazer masculino”. Ela reforça que o prazer é autônomo e que o afeto não deve ser negado pelo fato de bissexuais se relacionarem também com pessoas de gêneros diferentes.
  • Luisa Mamprim, 27 anos, ilustradora, diz que só encontrou prazer verdadeiro ao se libertar da “pressão heteronormativa” de performance sexual. Para ela, quando os papéis de gênero são deixados de lado, “tudo fica mais gostoso”.

Identidade válida e não transitória

Ativistas reforçam que a bissexualidade não é fase nem indecisão: continua válida independentemente de quem seja o parceiro(a) atual. Como resume um dos depoimentos:

“Troca de saliva não define a nossa s3xualidade. O que nos define é quem somos, não com quem estamos.”

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