Poucas horas antes do anúncio da nova aliança, o Movimento Vitória SAF (MVSAF) divulgou uma nota oficial informando o desligamento de seus representantes Daniel Barbosa e Ney Campello do Grupo de Trabalho para Estruturação da SAF do clube, além do declínio do mandato ofertado a Marcone Amaral, agora candidato à presidência pela nova chapa Aliança Vitória SAF.
O comunicado, aprovado por quinze líderes do movimento, afirma que o projeto da SAF não tem sido tratado como prioridade pela atual diretoria. Segundo o texto, o presidente Fábio Mota nunca participou das reuniões quinzenais do grupo — criado em setembro — e as atas dos encontros nunca foram publicadas oficialmente pelo clube.
“Coube ao MVSAF manter a torcida informada, sem o respaldo institucional necessário”, destaca o comunicado.
O movimento também criticou a divulgação recente de um novo projeto de Arena, feita sem diálogo com o grupo de trabalho ou com a torcida. A proposta, segundo o coletivo, carece de transparência e não apresenta integração com o projeto da SAF, o que “gera dúvidas legítimas sobre prioridades e compatibilidade entre as duas iniciativas”.
Outro ponto citado é o fato de que o mandato concedido a Marcone Amaral para representar o clube em tratativas com investidores estrangeiros foi entregue apenas seis meses após o primeiro pedido e às vésperas do processo eleitoral, o que teria dificultado o diálogo com investidores do Catar.
O texto conclui afirmando que o movimento seguirá “independente, vigilante e atuante na busca por uma SAF com investidor majoritário e visão de longo prazo para o futuro do Esporte Clube Vitória”.
Cenário eleitoral aberto no Vitória
Com o lançamento da “Aliança Vitória SAF”, o cenário eleitoral rubro-negro se define em um momento decisivo para o clube, que busca estabilidade política e financeira após anos de turbulência administrativa.
O atual presidente Fábio Mota, no comando desde 2021, deve confirmar nos próximos dias sua candidatura à reeleição. A disputa promete colocar frente a frente dois projetos distintos: de um lado, a continuidade da atual gestão; de outro, uma proposta de transformação do Vitória em SAF, com novos parâmetros de governança e transparência.
A Aliança Vitória SAF reúne os grupos Frente Vitória Popular (FVP), Movimento Vitória SAF (MVSAF), Movimento Novo Vitória (MNV) e Movimento Vitória de Verdade (MVV).
O ex-jogador e deputado estadual Marcone Amaral foi escolhido como candidato à presidência do Conselho Gestor pela nova composição, que ainda define o nome do vice.
A FVP, principal grupo de oposição, ficará com 40% das vagas no Conselho Deliberativo, além da presidência do colegiado, com Vagner Santana, e três nomes na lista do Conselho Fiscal.
Em nota, o grupo destacou que a união “é um gesto de maturidade política e amor ao clube”, reafirmando o compromisso de “resgatar o orgulho rubro-negro e colocar o Vitória no caminho certo”.


