Vacas têm “melhores amigas” e vínculos influenciam bem-estar

Estudos mostram que relações sociais reduzem o estresse do rebanho e impactam diretamente a saúde e a produtividade dos animais

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As vacas são animais sociais e vivem melhor quando estão em grupo. Estudos indicam que elas criam vínculos de preferência, formando verdadeiras “amizades”, e passam mais da metade do tempo de descanso e alimentação ao lado da chamada melhor amiga. Esses laços surgem ainda na fase jovem e, na maioria dos casos, permanecem por toda a vida do animal.

A convivência com a parceira de afinidade contribui para que a vaca se mantenha mais calma, reduzindo níveis de estresse e ansiedade. Em contrapartida, quando ocorre a separação dessas companheiras ou mudanças frequentes de lote, o equilíbrio do rebanho é afetado, o que pode resultar, inclusive, em queda na produção de leite.

“O emocional da vaca depende não só da convivência com outras, mas também de fatores como clima, higiene e adaptação ao sistema de criação. Todos esses elementos formam um conjunto que define como ela vai reagir no dia a dia”, explica o professor de clínica médica de grandes animais Cícero Araújo Pitombo, da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Apesar de disputas pontuais por comida ou espaço, as vacas leiteiras convivem em grupos, o que facilita a formação desses vínculos. A presença da melhor amiga funciona como um ponto de segurança. Em situações de competição no cocho, por exemplo, a companhia ajuda a reduzir o medo e garante mais tranquilidade durante a alimentação, já que as vacas tendem a passar grande parte do tempo juntas.

Para que essas relações tragam benefícios reais ao rebanho, o ambiente precisa oferecer condições adequadas, como espaço suficiente, boa higiene, alimentação balanceada e conforto. Quando essas exigências são atendidas, as vacas se mostram mais calmas, lidam melhor com mudanças e mantêm uma rotina alimentar mais estável.

A separação de vacas que possuem vínculo provoca alterações quase imediatas no comportamento. Elas podem ficar mais agitadas, demorar a se adaptar a novos grupos e até reduzir a ingestão de alimento. Em alguns casos, a ausência da companheira faz com que o animal se isole ou se torne mais reativo, aumentando o estresse coletivo do lote.

“O isolamento social é, sem dúvida, um dos maiores estressores para um bovino. Quando separadas do grupo ou de suas parceiras, as vacas apresentam sinais de estresse agudo, como aumento da frequência cardíaca, vocalizações constantes e tentativas de fuga”, destaca Gabriel Costa, coordenador do curso de medicina veterinária da Universidade Anhembi Morumbi. Segundo ele, a longo prazo, esse tipo de estresse pode comprometer o sistema imunológico e deixar o animal mais suscetível a doenças, além de favorecer estados depressivos.

O bem-estar emocional das vacas também está diretamente ligado à produção de leite. Animais mais tranquilos se alimentam melhor, descansam mais e respondem de forma positiva ao manejo diário. Como consequência, adoecem menos, demandam menos medicamentos e mantêm uma produção mais regular ao longo do tempo.

Ambientes com sombra, água limpa, espaço adequado e rotina estável favorecem não apenas a produção, mas também a reprodução. Vacas que vivem em grupos organizados e com vínculos sociais tendem a emprenhar com mais facilidade, contribuindo para um ciclo produtivo mais eficiente e sustentável.

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