Um estudo conduzido pela Universidade de Oxford revelou que ferramentas de inteligência artificial podem reproduzir e até reforçar preconceitos regionais no Brasil, afetando principalmente o Nordeste e estados como a Bahia. A pesquisa, intitulada “The Silicon Gaze”, analisou mais de 20 milhões de consultas e identificou respostas associadas a estereótipos culturais.
De acordo com o levantamento, estados das regiões Sudeste e Sul costumam receber avaliações mais positivas em temas como inteligência, governança e inovação. Já o Nordeste e o Norte aparecem, com frequência, retratados de forma desfavorável. Entre os exemplos citados estão classificações de Maranhão e Piauí como locais com pessoas “mais ignorantes”, além da associação de Bahia e Pernambuco a estigmas considerados ofensivos.
Por outro lado, o estudo aponta que o Nordeste tem melhor desempenho quando o assunto é cultura. Estados como Bahia e Pernambuco são reconhecidos pela criatividade e pela produção musical. Em outros quesitos, como facilidade para fazer amigos, São Paulo aparece entre os últimos colocados, enquanto Minas Gerais lidera a avaliação.
Apesar dos contrastes, os pesquisadores destacam que a oposição entre Sudeste/Sul e Nordeste/Norte permanece forte na maioria dos temas analisados.
Segundo os autores, esses vieses estão ligados à forma como os sistemas de IA são treinados, geralmente com conteúdos produzidos em regiões mais ricas e ocidentais. Especialistas alertam que o uso crescente dessas tecnologias pode influenciar o debate público e até decisões políticas, defendendo mais senso crítico, transparência e regulação para evitar que respostas enviesadas sejam interpretadas como verdades absolutas.


