Imagens de câmeras de segurança viralizaram ao mostrar homens circulando entre carros em avenidas movimentadas de Salvador para oferecer um esquema ilegal: assumir o volante de veículos conduzidos por motoristas alcoolizados para evitar a blitz da Lei Seca. Pelo serviço, eles chegam a cobrar cerca de R$ 700.
Nos registros, alguns condutores param no acostamento após aceitar a proposta. A tentativa é escapar de penalidades que podem ultrapassar R$ 2,9 mil, além de outras sanções previstas na legislação.
A repercussão foi grande nas redes sociais. Um advogado que compartilhou o vídeo criticou a prática e afirmou que a atuação desses intermediários enfraquece a credibilidade das fiscalizações e aumenta a sensação de impunidade, expondo toda a população a riscos.
Do ponto de vista jurídico, o advogado civilista e especialista em direito de trânsito Bruno Medeiros Durão alerta que a conduta pode ir muito além de uma infração administrativa.
“Estamos diante de uma situação que pode envolver crimes como corrupção ativa e passiva, associação criminosa e até obstrução da fiscalização. Tanto quem oferece quanto quem aceita pode responder criminalmente”, explicou.
Segundo o especialista, as consequências podem ser severas: além da multa por dirigir sob efeito de álcool, o motorista pode ter a CNH suspensa, o veículo apreendido e ainda enfrentar pena de detenção. Já os intermediários podem ser enquadrados em crimes contra a administração pública.
Relatos semelhantes apareceram nos comentários da publicação, o que aumenta o alerta sobre possíveis tentativas de fraude nas operações.
Especialistas em segurança viária reforçam que dirigir alcoolizado é uma infração gravíssima e uma das principais causas de mortes no trânsito. Dados nacionais indicam que, somente em 2021, mais de 10,8 mil pessoas morreram em acidentes relacionados ao consumo de álcool — média de cerca de 1,2 morte por hora.
Para Durão, combater esse tipo de prática exige fiscalização eficiente e punições rigorosas. “Qualquer brecha para atalhos ilegais compromete o principal objetivo da Lei Seca: salvar vidas”, concluiu.
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