O Ministério Público da Bahia (MP-BA) afirmou que o assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete está relacionado a uma disputa por controle territorial no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo a denúncia, a atuação do tráfico de drogas na região estaria associada à exploração de atividades ilícitas e ao domínio de áreas consideradas estratégicas. A investigação aponta que a presença de grupos criminosos intensificou conflitos locais.
De acordo com o MP, Mãe Bernadete se posicionava como uma liderança contrária à atuação desses grupos, o que a colocou como um ponto de resistência dentro do território. Essa postura teria contribuído para o aumento das tensões antes do crime.
Os acusados pelo assassinato serão levados a júri nesta segunda-feira (13). Para o Ministério Público, o caso deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo de violência ligada à disputa por território e influência em áreas próximas ao quilombo.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, destacou a importância do julgamento. “Este júri representa um marco no enfrentamento à impunidade e um passo importante para a reparação histórica às vítimas de violência”, afirmou.
Ele também ressaltou a necessidade de proteção às lideranças comunitárias. “Honrar a memória de Mãe Bernadete é assegurar a proteção de defensores de direitos humanos, garantir a titulação das terras tradicionais e responsabilizar os autores do crime nos termos da lei”, declarou.


