Uso de insulina no fisiculturismo acende alerta após morte de influenciador fitness

Especialistas alertam para riscos silenciosos da hipoglicemia causada pelo uso irregular da substância

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A morte do influenciador fitness Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu discussões sobre os perigos do uso de insulina no universo do fisiculturismo e da busca pelo corpo perfeito.

Embora a causa da morte tenha sido confirmada como cardiomiopatia hipertrófica, doença que provoca espessamento anormal do músculo do coração e pode ser agravada pelo uso de anabolizantes — o caso ganhou repercussão após amigos levantarem a hipótese de uma crise de hipoglicemia relacionada ao uso hormonal.

Meses antes de morrer, o próprio Gabriel já havia relatado nas redes sociais episódios de mal-estar após aplicações de insulina, afirmando que precisou de ajuda após passar mal.

O caso voltou a acender o alerta sobre práticas clandestinas comuns no meio fitness, onde substâncias hormonais são utilizadas sem acompanhamento médico na tentativa de acelerar ganho de massa muscular.

Segundo o endocrinologista Francisco Cesar Lins, especialista em Medicina do Esporte, a insulina jamais deveria ser utilizada por pessoas saudáveis com finalidade estética.

A substância foi desenvolvida para tratar pacientes com Diabetes e tem como principal função controlar os níveis de açúcar no sangue. No fisiculturismo, porém, ela passou a ser usada por causa do seu efeito anabólico, facilitando a entrada de glicose e nutrientes nas células musculares.

O problema é que esse mesmo mecanismo pode provocar uma queda brusca da glicemia, causando hipoglicemia severa e colocando a vida em risco.

Sintomas da hipoglicemia grave

  • Fraqueza intensa
  • Tontura
  • Tremores
  • Suor frio
  • Taquicardia
  • Sensação de desmaio
  • Confusão mental
  • Perda de coordenação motora
  • Convulsões
  • Perda de consciência

De acordo com o especialista, o quadro pode evoluir rapidamente e, em casos graves, levar à parada cardíaca em poucos minutos.

O risco aumenta principalmente quando a insulina é aplicada antes de dormir. Durante o sono, a pessoa pode não perceber os sintomas a tempo de corrigir a queda de açúcar no sangue.

O fisiculturista Vitor Prudente Cardoso, de 21 anos, afirmou que o uso de hormônios é algo comum dentro do meio esportivo. Apesar de nunca ter utilizado insulina, ele contou já ter presenciado episódios de hipoglicemia entre atletas.

Segundo ele, muitos jovens acabam atraídos pelos resultados físicos vistos nas redes sociais e ignoram os riscos envolvidos.

Especialistas também demonstram preocupação com a facilidade de acesso à substância, já que a insulina pode ser comprada sem exigência de receita médica em muitos casos.

Francisco Cesar Lins alerta ainda que episódios prolongados de hipoglicemia podem causar sequelas neurológicas permanentes, porque o cérebro depende da glicose para funcionar corretamente.

Para o médico, combater a banalização do uso hormonal exige informação, conscientização e participação conjunta de profissionais de saúde, escolas, famílias, influenciadores e da imprensa.

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