A um dia da votação da proposta que altera a jornada de trabalho no Brasil, o Partido Liberal anunciou nesta terça-feira (26) que apoiará um destaque para incluir o modelo de escala 4×3 no texto em discussão na Câmara dos Deputados.
O anúncio foi feito pelo líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante, após reunião interna do partido.
A proposta apoiada pelo PL retoma o texto original apresentado pela deputada Erika Hilton, que prevê quatro dias de trabalho e três de descanso, além de jornada semanal de 36 horas.
Já o relatório apresentado pelo deputado Léo Prates estabelece o modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, limitando a carga semanal a 40 horas.
Segundo o texto substitutivo do relator, o novo formato garantiria pelo menos dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.
O PL afirmou que a decisão de apoiar a proposta 4×3 tem o objetivo de pressionar partidos de esquerda durante a votação.
“Agora queremos ver: quem diz defender o trabalhador terá a oportunidade de provar no voto”, declarou Sóstenes Cavalcante.
Por outro lado, Erika Hilton afirmou que a movimentação do partido seria uma estratégia para atrasar a tramitação da proposta já acordada na comissão especial.
“Vamos ver se eles mantêm essa posição até o final, mas isso é claramente uma manobra para atrasar a votação”, disse a parlamentar.
Na segunda-feira (25), o deputado Maurício Marcon, também do PL, pediu vista do texto na comissão, o que pode ampliar o tempo de análise da proposta.
Segundo Marcon, o projeto pode acabar restringindo trabalhadores que desejam manter jornadas superiores a oito horas diárias.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu o avanço da proposta afirmando que o objetivo é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.
A previsão é que o tema seja votado até quinta-feira (28).


