CNPJ alfanumérico começa a ser adotado em julho; entenda o que muda para empresas

Novo modelo incluirá letras e números para novas inscrições, enquanto empresas já cadastradas manterão seus CNPJs atuais

CNPJ alfanumético - Foto: Divulgação/Sefaz-MT

A Receita Federal passará a adotar, a partir de julho, o novo modelo de CNPJ alfanumérico. A mudança foi implementada para atender ao crescimento do número de empresas abertas no Brasil e evitar o esgotamento das combinações disponíveis no formato exclusivamente numérico. A alteração, no entanto, não afetará os CNPJs já existentes.

Segundo dados do Sebrae, somente em 2025 foram registrados mais de 5,1 milhões de novos negócios, um crescimento de 18,6% em relação ao ano anterior. Diante desse cenário, a Receita Federal optou pela adoção de um novo padrão de identificação para garantir a emissão de códigos únicos às futuras empresas.

Em entrevista ao portal A TARDE, o CEO da Agilize, Rafael Caribé, explicou que a implantação ocorrerá de forma gradual.

“Passa a ser o padrão para novas inscrições e para filiais abertas após a entrada em vigor da medida. Como toda mudança dessa dimensão, a implantação será progressiva”, afirmou.

Como será o novo CNPJ

O novo CNPJ continuará com 14 caracteres, porém parte dos números será substituída por letras do alfabeto. Para evitar confusões visuais, as letras I, O, Q e F não serão utilizadas.

As empresas que já possuem CNPJ permanecerão com o mesmo número, sem necessidade de solicitar novo cadastro ou realizar qualquer alteração junto à Receita Federal.

De acordo com Rafael Caribé, a principal mudança ocorrerá nos sistemas utilizados por empresas e órgãos públicos.

“A principal alteração acontece nos bastidores, com a necessidade de adaptação dos sistemas que utilizam o CNPJ como identificador. Empresas abertas a partir da implementação já receberão o novo formato, enquanto as empresas existentes continuarão operando normalmente com seus CNPJs atuais”, explicou.

Sistemas precisarão ser atualizados

Embora a mudança não altere regras tributárias, obrigações fiscais ou regimes de tributação, diversos sistemas precisarão ser adaptados para reconhecer o novo padrão de identificação.

Entre os principais sistemas que deverão passar por atualização estão:

  • ERPs (sistemas de gestão empresarial);
  • Softwares contábeis;
  • Plataformas de emissão de notas fiscais eletrônicas;
  • Sistemas bancários;
  • Marketplaces;
  • CRMs (gestão de relacionamento com clientes);
  • Plataformas de pagamento;
  • Órgãos públicos;
  • Prefeituras;
  • Juntas comerciais;
  • Serviços de consulta de crédito.

O especialista recomenda que empresários procurem seus fornecedores de tecnologia para verificar se os sistemas utilizados já estão preparados para aceitar o novo formato.

“Se um sistema aceitar apenas números no campo de CNPJ, por exemplo, ele poderá impedir cadastros ou gerar falhas em integrações. Por isso, a recomendação é que os empresários conversem desde já com seus fornecedores de tecnologia para verificar se as atualizações já estão previstas ou acontecendo”, orientou.

Apesar das adaptações tecnológicas, a Receita Federal informou que não haverá cobrança de qualquer taxa para a adoção do novo modelo. Os possíveis custos ficarão restritos às atualizações de sistemas realizadas pelas próprias empresas.

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