Caso Master: PF identificou 74 chamadas entre Jaques Wagner e ex-sócio de Vorcaro em 18 meses

Documentos tornados públicos pelo STF detalham suspeitas de atuação política em favor do banco e apontam apartamento de R$ 2,45 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões a empresas de familiares

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Novos detalhes da investigação da Polícia Federal sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) foram tornados públicos nesta quinta-feira (30) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master e possíveis pagamentos ao parlamentar em troca de atuação política em interesses relacionados à instituição financeira.

De acordo com os documentos, os investigadores identificaram 74 ligações telefônicas entre Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Lima, chamado pelo senador de “Guga”, aparece nas investigações como uma das principais conexões entre Wagner e o grupo ligado ao banco.

A Polícia Federal apura se Wagner teria atuado politicamente em favor de interesses do Banco Master durante a tramitação de propostas no Senado. Entre os assuntos que teriam despertado o interesse da instituição estava a ampliação da margem para contratação de empréstimos consignados.

As investigações também apontam que o senador teria recebido benefícios que, segundo a PF, poderiam estar relacionados à suposta atuação em favor do banco. Entre eles está um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, além de repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões para empresas ligadas a familiares.

Wagner foi alvo de uma operação de busca e apreensão em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e operações financeiras do conglomerado.

Senador diz estar tranquilo

Nesta sexta-feira (31), Jaques Wagner afirmou que está tranquilo diante das investigações e declarou que pretende demonstrar sua inocência.

O senador, que busca a reeleição para o Senado nas eleições de outubro, nega as acusações e deverá apresentar sua defesa no decorrer do processo.

A investigação ainda está em andamento, e os elementos reunidos pela Polícia Federal deverão ser analisados pela Justiça antes de qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.

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