Tifanny reage à nova regra da CBV que impede mulheres trans no vôlei feminino: “Estão tirando tudo de mim”

Jogadora do Osasco criticou a mudança, classificou a medida como “enorme retrocesso” e afirmou que pretende contestar a decisão.

Reprodução

A jogadora Tifanny Abreu, de 41 anos, se pronunciou pela primeira vez sobre a nova política da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que restringe a participação de mulheres trans nas principais competições da categoria feminina. A oposta do Osasco criticou a decisão e afirmou que pretende buscar medidas para continuar atuando no esporte.

A manifestação ocorreu no sábado (15), após a derrota do Osasco para o Pinheiros por 3 sets a 2, na estreia do Campeonato Paulista. Tifanny poderá disputar o Estadual porque a competição começou antes da publicação da nova política.

“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos”, declarou.

A jogadora também afirmou que a mudança afeta o clube, torcedores, patrocinadores e outras pessoas trans. Tifanny classificou a nova política como um “enorme retrocesso” e disse que pretende contestá-la.

“Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do esporte não tenham sido em vão”, afirmou.

O que muda com a nova política da CBV

Publicada na sexta-feira (14), a nova política de elegibilidade da CBV revogou as regras anteriores para atletas trans. A entidade afirma que a mudança segue critérios adotados internacionalmente.

Pelas novas regras, a participação na categoria feminina passa a considerar o sexo biológico, e identidade de gênero, documentos civis, tratamento hormonal, supressão de testosterona ou cirurgia deixam de ser suficientes para definir a elegibilidade esportiva.

A CBV prevê a realização de triagem do gene SRY. Atletas com resultado negativo serão consideradas elegíveis para a categoria feminina, enquanto aquelas com resultado positivo não poderão competir na categoria, ressalvadas condições específicas previstas no regulamento.

A regra terá aplicação imediata em competições como a Superliga A e B 2026/27, Supercopa do Brasil 2026 e Copa Brasil 2027, além de torneios nacionais de vôlei de praia.

Tifanny continuará no Campeonato Paulista

A nova política não impede a participação de Tifanny no Campeonato Paulista de 2026. A Federação Paulista de Voleibol (FPV) informou que o Estadual seguirá as regras vigentes quando a competição começou.

O Osasco afirmou ter sido surpreendido pela decisão da CBV, informou que não participou da elaboração da política e acionou o departamento jurídico para avaliar os próximos passos. O clube também reiterou apoio à jogadora.

Tifanny atua no voleibol feminino desde 2017 e foi a primeira mulher trans a disputar a Superliga Feminina. Ela defende o Osasco desde 2021 e conquistou a Superliga na temporada 2024/25.

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