ONU aprova novo mapa-múndi que reduz distorções e amplia proporção da África

Nova representação utiliza a projeção Equal Earth, que busca mostrar os continentes com proporções mais próximas das dimensões reais

Mapa aprovado pela ONU para representar com melhor proporção a diferença de área entre os países. — Foto: Reproduçãio/equal-earth.com

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na sexta-feira (4), a adoção de uma nova representação cartográfica que busca reduzir as distorções de tamanho presentes no mapa-múndi tradicional.

A iniciativa é resultado de uma mobilização da União Africana, que defende uma representação mais proporcional do continente. A nova projeção utilizada é a Equal Earth, desenvolvida para preservar melhor as áreas relativas dos territórios.

Com a mudança, a África passa a ser representada de maneira mais próxima de seu tamanho real em relação aos demais continentes.

Brasil também ganha proporção no novo mapa

A alteração também modifica a forma como o Brasil é visualizado.

Na tradicional projeção de Mercator, o território brasileiro pode aparentar ter dimensão semelhante à do Alasca. Na realidade, o Brasil possui uma área cerca de cinco vezes maior que a do estado norte-americano.

Na projeção Equal Earth, a diferença entre os dois territórios fica mais evidente, justamente por reduzir a distorção provocada pela representação cartográfica convencional.

O mesmo ocorre com a África. Na projeção de Mercator, a Groenlândia pode aparentar ter tamanho próximo ao do continente africano, embora a África seja aproximadamente 14 vezes maior.

Por que os mapas distorcem os continentes?

O desafio está na própria forma do planeta. Como a Terra possui uma superfície curva, qualquer tentativa de representá-la em uma folha plana provoca algum nível de distorção.

A projeção de Mercator foi criada para facilitar a navegação e se tornou uma das representações mais utilizadas justamente por permitir que navegadores traçassem rotas com base nas direções indicadas pela bússola.

O problema é que, nesse modelo, os territórios próximos aos polos são ampliados proporcionalmente à medida que se afastam da linha do Equador.

Por isso, países e continentes podem aparecer muito maiores ou menores do que realmente são. O Brasil, por exemplo, parece menor que a Groenlândia na projeção de Mercator, apesar de possuir uma área territorial cerca de 3,9 vezes maior.

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