Em SAJ, secretária rebate influência política na regulação e afirma que critérios clínicos definem pacientes na Bahia: “Muitas vezes é por falta de profissional”

Secretária estadual da Saúde afirmou que políticos não interferem na escolha de pacientes e destacou que 80% das regulações ocorrem em até 24 horas

A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, afirmou que não há interferência política na regulação de pacientes na Bahia e defendeu a atuação dos médicos responsáveis pelo processo. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (10), durante coletiva de imprensa realizada no Hospital e Maternidade Luiz Argolo, da Santa Casa de Misericórdia de Santo Antônio de Jesus, onde a secretária também tratou de investimentos previstos para o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus (HRSAJ).

Questionada sobre críticas de que deputados ou outros políticos teriam influência sobre a liberação de vagas, Roberta Santana negou a existência desse tipo de interferência “Não tem e eu desafio quem apresentar aqui que foi um político que regulou um paciente”, afirmou. Segundo ela, nem mesmo a Secretaria Estadual da Saúde possui autoridade para definir qual paciente ocupará determinado leito.

De acordo com a secretária, a decisão é tomada por médicos reguladores, que analisam as condições clínicas registradas no sistema. Ela informou que mais de 500 profissionais atuam na regulação durante 24 horas “Quem define quem deita primeiro no leito é o critério clínico e a gravidade do paciente”, declarou Roberta, acrescentando que atribuir a decisão a políticos representa uma afronta aos profissionais responsáveis tecnicamente pela regulação.

A secretária também afirmou que a regulação tornou possível identificar a demanda por atendimento na rede estadual. Como exemplo, citou pacientes que precisam de procedimentos como cateterismo e que, antes da existência do sistema, buscavam atendimento diretamente em unidades de saúde sem informações sobre a disponibilidade de serviços especializados.

Bahia regulou 286 mil pacientes no último ano

Durante a coletiva, Roberta Santana informou que 286 mil pacientes foram regulados no ano passado. Segundo os dados apresentados por ela, quase 80% dos casos foram encaminhados em até 24 horas.

A secretária explicou que os casos mais graves, como acidentes de trânsito e fraturas expostas, são classificados como prioridade e podem receber autorização imediata para ocupação de um leito.

Ela reconheceu, porém, que cerca de 20% dos pacientes enfrentam um tempo maior de espera. Entre os exemplos citados estão pessoas que necessitam de tratamentos especializados, como pacientes com leucemia e outras condições de onco-hematologia.

Segundo Roberta, em alguns desses casos a dificuldade não está na falta de hospitais ou de estrutura física, mas na escassez de profissionais especializados, como hematologistas “Não é por falta de estrutura, não é por falta de hospital, muitas vezes é por falta de profissional”, afirmou.

A secretária também criticou a utilização de bloqueios de vias como forma de pressionar pela regulação de pacientes. Para ela, o direito de ir e vir deve ser preservado e o objetivo do Estado é reduzir cada vez mais o tempo necessário para o atendimento.

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