A inadimplência das famílias nas operações de crédito livre atingiu 8% em agosto, o maior percentual desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em março de 2011. O dado foi divulgado nesta terça-feira (29) e representa uma alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de 1 ponto percentual em 12 meses.
Na prática, o índice significa que, para cada R$ 100 emprestados nessa modalidade, R$ 8 estavam com atraso superior a 90 dias. Considerando todas as operações de crédito com recursos livres, incluindo empresas, a inadimplência ficou em 6,6%, também com avanço de 0,2 ponto percentual no mês.
Entre as empresas, o índice chegou a 4,3%, alta de 0,1 ponto percentual. Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, os maiores níveis históricos foram registrados em diferentes segmentos analisados pela instituição, incluindo crédito total, crédito livre, crédito direcionado e operações destinadas às pessoas físicas.
O cartão de crédito está entre as modalidades que registraram aumento nos atrasos. No crédito rotativo, a inadimplência passou de 65,5% em julho para 66,2% em agosto. Considerando o cartão de crédito de forma geral, que inclui as modalidades rotativa e parcelada, o índice alcançou 10%, alta de 0,5 ponto percentual no mês.
Também houve crescimento nos atrasos do crédito pessoal. A inadimplência chegou a 3,8% no consignado e a 11% na modalidade não consignada. Nas operações sem garantia, o percentual alcançou 15,6%.
Entre os trabalhadores do setor privado que utilizam crédito consignado, o índice praticamente dobrou em um ano, passando de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto de 2026.
O cenário ocorre enquanto os juros cobrados das famílias permanecem elevados. A taxa média do crédito livre chegou a 61,7% ao ano em agosto, aumento de 1,4 ponto percentual no mês. No cartão rotativo, os juros médios alcançaram 444,9% ao ano, enquanto no parcelado chegaram a 192,1%.
O endividamento das famílias também avançou. Em julho, atingiu 49,9%, alta de 0,2 ponto percentual. Já o comprometimento da renda permaneceu em 28,7%.
O Banco Central ressaltou que mudanças nas regras contábeis também influenciaram os resultados. Segundo a instituição, aproximadamente metade do aumento observado nos índices de inadimplência pode ser explicada pela alteração dos critérios de contabilização.






