O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) pediu uma audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, que estava previsto para quinta-feira (1º). Cury retornou do Rio de Janeiro para Brasília nesta sexta-feira (2) e foi à sede da Corte para entregar uma carta ao ministro.
No documento, Cury critica decisões recentes do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, segundo ele, interferiram na liberdade de expressão durante a organização do debate. O candidato afirmou que o encontro seria importante para que os eleitores conhecessem suas propostas.
Cury também citou uma pesquisa do Instituto Eurasia, segundo a qual 40% dos eleitores saberiam que ele é candidato à Presidência. “O debate seria imprescindível para que mais pessoas conhecessem minhas ideias e meu projeto de Estado”, escreveu.
Candidato questiona decisões judiciais
Na carta, Cury menciona a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a TV Globo de exibir o púlpito vazio destinado a candidatos ausentes e de formular perguntas direcionadas a eles. Também cita a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate.
O candidato também abordou outros episódios ocorridos durante a campanha. Sobre mudanças no alcance das redes sociais, afirmou que não acusa ninguém de sabotagem deliberada, mas defendeu que suspeitas relacionadas ao processo eleitoral sejam consideradas.
Cury mencionou ainda o pedido de vista do ministro Flávio Dino em um processo relacionado a um relatório da Polícia Federal sobre informações envolvendo o celular de Daniel Vorcaro. Embora reconheça que o pedido de vista é um instrumento legítimo, defendeu transparência em decisões institucionais próximas à eleição.
Outro ponto citado foi o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado em 17 de setembro, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. Cury afirmou que críticos questionaram o momento do anúncio e defendeu transparência em medidas sociais adotadas durante a reta final da eleição.
Ao tratar do debate, o candidato afirmou que não busca tratamento diferenciado, mas o direito de apresentar suas propostas aos eleitores.
Cury também informou que avalia acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos para relatar suas preocupações em relação à democracia brasileira. Na carta, classificou a manifestação como um protesto e uma “súplica pacífica” pela preservação da liberdade de expressão e por informação suficiente para que os eleitores possam decidir.
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