Zezé Motta adotou menino que vivia nas ruas e história emociona 30 anos depois

Robson tinha sido abandonado ainda criança e encontrou na atriz a família que tanto sonhava; relato foi feito durante entrevista a Paulo Vieira.

Uma história de adoção vivida há cerca de 30 anos pela atriz e cantora Zezé Motta voltou a emocionar o público nas redes sociais. Aos 45 anos, Robson relembrou como conheceu a artista depois de passar parte da infância vivendo nas ruas do Rio de Janeiro. O depoimento foi exibido no programa Avisa Lá Que Eu Vou, apresentado por Paulo Vieira, no GNT.

Durante a entrevista, Robson se emocionou ao contar o momento em que Zezé ouviu sua história e decidiu acolhê-lo. “Agora eu sou sua mãe”, disse a atriz ao menino, que finalmente encontrou a família que tanto desejava.

O vídeo publicado nas redes sociais de Paulo Vieira ultrapassou 1,4 milhão de visualizações e também comoveu artistas e seguidores. Entre os comentários, Mônica Martelli, Ingrid Guimarães, Fátima Bernardes e Deborah Bloch elogiaram a atitude de Zezé.

Infância marcada pelo abandono

Robson nasceu em Nilópolis, no Rio de Janeiro, em 21 de setembro de 1981. Segundo seu relato, a mãe biológica foi vítima de estupro e o entregou a um casal para ser criado. Anos depois, quando ele tinha oito anos, o menino foi abandonado pelo casal no calçadão de Nilópolis.

Ele contou que ouviu que alguém voltaria para buscá-lo, mas isso nunca aconteceu. Sozinho, entrou em um trem e seguiu até a Central do Brasil, onde passou a viver nas ruas.

“Eu olhei o trem, porque na minha cabeça o trem sempre ia pra algum lugar. E eu falei: ‘Opa, vou entrar no trem’”, relembrou.

Durante esse período, Robson alimentava o sonho de ter uma família, uma casa e uma geladeira. Sem encontrar quem o acolhesse, continuou vivendo na região da estação até receber a orientação de procurar o antigo Juizado de Menores.

Ele decidiu buscar ajuda por conta própria e foi encaminhado para um abrigo, onde passou a estudar e teve contato com educadores sociais.

Encontro com Zezé Motta mudou sua vida

A oportunidade de conhecer a atriz surgiu durante o casamento de um educador do abrigo. Robson foi escolhido para participar da cerimônia e contou que estava animado principalmente pela possibilidade de comer na festa.

Durante o evento, Zezé Motta se sentou ao lado dele e perguntou se era parente do noivo. Ao explicar que morava em um abrigo, o menino contou parte de sua história e falou sobre o abandono e os anos nas ruas.

Sensibilizada com o relato, a artista prometeu visitá-lo na instituição na sexta-feira seguinte e cumpriu o combinado.

“Então sexta-feira eu vou lá no abrigo e você vai ser meu filho”, teria dito Zezé. Na visita, ela reafirmou a decisão com as palavras que Robson nunca esqueceu: “Agora eu sou sua mãe”.

A aproximação resultou na adoção, e Robson passou a fazer parte da família da atriz.

Robson transformou experiência em projeto social

A história de Robson também ganhou espaço na literatura. Em 2007, ele publicou o livro À Procura de uma Família, no qual relata a infância e a importância dos vínculos familiares.

Anos depois, criou a Rede Cultura Social, organização fundada em 2009 para ampliar o acesso de crianças e adolescentes a atividades culturais. Segundo registro do Museu da Pessoa, o projeto promoveu visitas a teatros, cinemas e museus para mais de 4,5 mil jovens.

Robson também escreveu peças teatrais e participou de iniciativas voltadas à proteção de crianças e adolescentes em situação de acolhimento.

Quem é Zezé Motta

Nascida em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em 27 de junho de 1944, Zezé Motta construiu uma trajetória de destaque na atuação e na música brasileira.

A carreira profissional começou em 1968, no musical Roda Viva, de Chico Buarque. O reconhecimento nacional e internacional veio com a interpretação da protagonista do filme Xica da Silva, lançado em 1976 e dirigido por Cacá Diegues.

Ao longo de quase seis décadas, participou de dezenas de novelas, filmes e produções teatrais, além de lançar discos e realizar apresentações no Brasil e no exterior.

A atriz também teve participação importante na luta contra o racismo e na valorização de artistas negros. Esteve entre os fundadores do Movimento Negro Unificado, em 1978, e ajudou a criar o Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (Cidan).

Em entrevista ao Gshow, em 2024, Zezé revelou ter adotado quatro filhos: Luciana, Carla, Cíntia e Robson.

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