União Brasil da Bahia pode perder espaço no governo Lula após apoio a Flávio Bolsonaro

Bancada ligada a ACM Neto deve ficar de fora da distribuição de cargos federais no novo mandato; influência de parlamentares baianos na Codevasf e nos Correios também foi afetada.

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agencia Brasil

O União Brasil da Bahia deve perder espaço na distribuição dos principais cargos federais do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mandato que começa em janeiro de 2027. A avaliação dentro do governo é que o apoio da bancada baiana à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, somado ao alinhamento político com o ex-prefeito ACM Neto, pesou contra a permanência do grupo nas indicações.

O cenário representa uma mudança em relação ao início do terceiro mandato de Lula, quando parlamentares baianos do União Brasil conseguiram manter e ampliar influência sobre órgãos federais, mesmo com o partido fazendo oposição ao PT na Bahia.

Dirigentes da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, já encaminharam ao Palácio do Planalto sugestões de nomes considerados mais próximos do governo para integrar a nova equipe ministerial.

Entre os indicados estão os deputados federais Moses Rodrigues (União), do Ceará, e Pedro Lucas Fernandes (União), do Maranhão. Pedro Lucas chegou a ser convidado para assumir o Ministério das Comunicações em 2025, mas recusou a proposta.

Pelo PP, o nome apresentado é o da senadora Daniella Ribeiro, da Paraíba, irmã do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, um dos principais interlocutores da legenda com o Planalto e relator da reforma tributária apoiada pelo governo.

O partido também precisará reorganizar sua participação na gestão federal porque o atual ministro do Esporte, André Fufuca, foi eleito senador pelo Maranhão e deverá assumir o mandato em fevereiro.

Na Bahia, entretanto, a expectativa é diferente. Deputados do União Brasil ligados a ACM Neto devem ficar de fora da distribuição de cargos federais, especialmente após o envolvimento da oposição baiana na campanha de Flávio Bolsonaro.

Codevasf foi um dos principais espaços de influência do União Brasil

Um dos exemplos mais expressivos da participação de parlamentares baianos na administração federal é a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

O deputado federal Elmar Nascimento exerceu influência sobre a estatal e participou da indicação de Marcelo Andrade Moreira Pinto para a presidência nacional da companhia, ainda durante o governo Jair Bolsonaro (PL). O dirigente permaneceu no cargo até junho de 2025.

Na Bahia, Elmar também teve influência sobre a superintendência regional da Codevasf em Juazeiro, responsável por obras e investimentos em municípios do norte do estado. Entre os nomes ligados ao parlamentar estava Miled Cussa Filho, indicado durante o governo Bolsonaro e mantido por parte da gestão Lula.

Em maio de 2025, Miled deixou o cargo e foi substituído pelo engenheiro agrônomo Sérgio Coelho, servidor de carreira da companhia. Ele permaneceu na função até meados daquele ano. Conforme revelou o Política Livre, a escolha do substituto também contou com o aval de Elmar.

Outro parlamentar do União Brasil que manteve influência na Codevasf foi Arthur Maia. Durante cerca de nove anos, o deputado teve como aliado na superintendência regional de Bom Jesus da Lapa o engenheiro Harley Xavier Nascimento.

Harley permaneceu no cargo durante governos de diferentes orientações políticas, mas foi exonerado em outubro de 2025, quando o Planalto iniciou uma movimentação para retirar indicações de parlamentares do União Brasil que haviam se afastado da base governista. Na ocasião, Arthur Maia criticou a decisão e defendeu publicamente a atuação do aliado.

Deputado também teve influência sobre indicações nos Correios

Outro exemplo é o deputado federal Dal Barreto, também do União Brasil e aliado de ACM Neto. Em maio de 2023, no início do terceiro governo Lula, o parlamentar indicou a servidora Evelyn Negrão de Santana Silveira para comandar a superintendência regional dos Correios na Bahia.

A nomeação ocorreu após articulação de Dal com o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que também era filiado ao União Brasil. A indicação chamou atenção porque o partido fazia oposição ao PT na Bahia, mas participava das negociações para apoiar o governo federal no Congresso Nacional.

Em outubro de 2025, Dal ainda exercia influência sobre diversas indicações nos Correios no estado, mas já enfrentava a possibilidade de perder esses espaços devido ao distanciamento do governo federal.

O deputado também foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvio de recursos públicos.

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