Anvisa alerta sobre venda de e-books que apresentam ivermectina como tratamento contra câncer

Agência afirma que não há comprovação científica de eficácia do medicamento contra a doença e alerta para os riscos de abandonar terapias oncológicas reconhecidas

Foto: Divulgação/Prefeitura de Itajaí

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta quinta-feira (15) sobre a comercialização de e-books e protocolos que apresentam a ivermectina como tratamento contra o câncer. Segundo o órgão, não há comprovação científica de que o medicamento seja capaz de curar a doença.

A agência também contestou publicações nas redes sociais que afirmam existir ensaios clínicos em andamento para comprovar a segurança e os benefícios da substância em pacientes oncológicos.

A ivermectina é um antiparasitário indicado para o tratamento de infecções causadas por determinados vermes e parasitas. De acordo com a Anvisa, pesquisas iniciais investigaram possíveis efeitos antitumorais da substância e do mebendazol, outro medicamento antiparasitário.

Os resultados, porém, foram obtidos em experimentos com células e animais, sem comprovação de eficácia em seres humanos.

“Estudos in vitro e em animais são os primeiros realizados em pesquisas iniciais, mas, por si só, NÃO são suficientes para comprovar a eficácia terapêutica de um medicamento”, destacou a agência.

Anvisa alerta para riscos aos pacientes

A divulgação de tratamentos sem eficácia comprovada pode levar pacientes a abandonar terapias reconhecidas contra o câncer, como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e cirurgia, alerta a Anvisa.

A interrupção desses tratamentos pode reduzir significativamente as chances de cura ou de controle da doença. Além disso, o uso de medicamentos sem orientação médica pode comprometer a eficácia das terapias oncológicas convencionais e intensificar efeitos colaterais.

A agência informou ainda que nenhum laboratório solicitou a inclusão da indicação da ivermectina para o tratamento do câncer na bula do medicamento.

Diante disso, a recomendação é ter cautela com conteúdos que atribuem propriedades curativas à substância sem respaldo científico. Pacientes oncológicos devem conversar com a equipe médica antes de realizar qualquer mudança no tratamento prescrito.

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