Brasileiro passa quarentena na Itália após comprar casa por um euro

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O empresário Douglas Roque em Fabricche di Vergemoli, na Itália Foto: Douglas Roque (25.mai.2020)

Quando diversas cidades italianas começaram a oferecer casas à venda a um euro (aproximadamente R$ 5,95), sonhadores de todos os cantos do mundo decidiram tentar uma nova vida e se mudar para um canto remoto do país. Uma delas é Fabricche di Vergemoli, situada na província de Lucca. Nas últimas décadas, a região sofreu um expressivo êxodo pois inúmeras famílias deixaram o local em busca de oportunidade em cidades maiores.

Com o objetivo de atrair novos moradores e aumentar a população, a Prefeitura local oferece o Projeto Casa a 1 Euro (Progetto Case a 1 Euro), que existe desde 2014. O empresário brasileiro Douglas Roque descobriu a iniciativa pela internet em 2015 e, após conseguir comprar a casa em 2018, viu no local uma chance de fazer bons negócios.

No entanto, quando desembarcou na Itália no fim de janeiro de 2020 para resolver burocracias referentes à reforma de suas casas, Roque não sonhava que seria impedido de voltar para São José dos Campos (97 km de São Paulo), onde mora com a mãe, devido ao isolamento imposto pela pandemia de Covid-19.

“Eu tinha a previsão de ficar apenas um mês por aqui para resolver os negócios práticos da reforma da minha casa. Uns dias antes do embarque de volta, no fim de fevereiro, começaram os bloqueios e as fronteiras do país foram fechadas. Liguei para a companhia aérea, eles confirmaram que os voos comerciais ainda não foram retomados. Entrei em contato a embaixada do Brasil, que não fez nada para ajudar, pois naquele momento alegava que não poderia fazer repatriação porque existiam voos comerciais”, conta.

O empresário, que está em Veneza, revela que aos poucos a cidade tenta retomar a sua relativa normalidade. No último dia 18, após dois meses de fechamento por causa da epidemia, bares, restaurantes, lojas e salões de beleza da Itália reabriram as portas, com novas regras de funcionamento. “No caso de Veneza, a cidade está tentando voltar ao normal, mas foi muito prejudicada por não ter turistas. É uma liberação gradual, as pessoas estão indo aos bares, cabeleireiros dentro das normas estabelecidas. O governo tomou uma medida e todos seguiram. Os italianos estão muito confiantes”, diz.

Nesta segunda-feira (25), centros esportivos e academias de ginástica podem voltar a funcionar. Em 3 de junho, os italianos também poderão viajar livremente por todo país, sem restrições. O país também vai reabrir suas fronteiras para turistas da União Europeia e removerá o isolamento obrigatório de 14 dias para visitantes estrangeiros na península.

Neste domingo (24), a Itália registrou o menor número de mortes na pandemia do novo coronavírus desde 7 de março (36). Com isso, o total de vítimas no país chegou a 32.785. Além disso, o número de novos casos neste domingo é de 531, é o menor desde 18 de maio (451) e o segundo menor desde 3 de março (466).

Fabricche di Vergemoli

É uma comuna italiana com apenas 779 habitantes, situada na na província de Lucca, na região da Toscana.

“Realmente é um lugar muito lindo, tem um rio com águas cristalinas que corta a cidade”, descreve Roque. “A água sempre foi um elemento vital neste território, juntamente com as montanhas. Há também muitas atividades interessantes e lugares bonitos para visitar: A Grotta del Vento, bem no meio da Reserva Natural dos Alpes Apuane, é conhecida como uma das cavernas mais interessantes e únicas da Europa. [Há também o] Monte Forato, com uma vista deslumbrante sobre o vale, acessível através de várias trilhas”.

Casa por um euro

O projeto é de 2014, mas há italianos que sequer sabem da iniciativa. No entanto, a situação em tempos de pandemia mudou e agora há até fila de espera na busca de uma casa no condomínio.

Douglas explica que as prefeituras criam campanhas para despertar o interesse de investidores do mundo inteiro. Com a ajuda de um amigo italiano e arquiteto, Roque abriu a “Sonho It – Transformando Pedras em Diamantes” para facilitar a vida de pessoas interessadas em comprar casas em pequenas cidades da Itália, já que é preciso seguir uma série de regras. Entre elas, pagar todas as taxas de contrato, cartório, água, luz e etc; apresentar projeto de reestruturação do imóvel e seguir e normas de restauração da residência já que trata-se de um patrimônio histórico mundial da Unesco.

No caso deles, foi muito importante encontrarem pessoalmente o prefeito para falar sobre o investimento. “Sempre que alguém divulga esse programa, a prefeitura recebe milhares de e-mails, mas não consegue responder por falta de estrutura. O paço municipal funciona numa casinha, o sindaco (prefeito) anda pelas ruas e cumprimenta as pessoas pelo nome. Quando nós estivemos lá, ele percebeu nosso entusiasmo e passou a nos ajudar”, diz.

O déficit econômico ocasionado pela pandemia na Itália resultou no Eco Bônus, um programa de medidas para amparar a população na crise decorrente da quarentena, O empresário explica que “o retorno para o governo virá em geração de empregos e captação de impostos”.

Longe de casa desde janeiro, Douglas Roque vivencia o renascimento das cidades italianas. E chegou a conclusão que o confinamento na Toscana está longe de ser o pior lugar do mundo — e ainda por cima, um tanto quanto rentável. (CNN)

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