Cartilha polêmica pede que homens não se vistam de mulher no Carnaval; saiba mais

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Foto: imagem ilustrativa

O Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial (Compir) de Belo Horizonte tem sido alvo de ataque após lançar uma cartilha nesta última quinta-feira (13/2). Publicada no Diário Oficial do Município (DOM) da capital mineira, a cartilha polêmica demanda práticas não racistas na folia momesca. O texto traz uma série de orientações para a adoção de ações não discriminatórias durante a folia, que passam pelas fantasias, marchinhas e, claro, atitudes. 

Agora, por exemplo, não se poderá mais: se vestir de índio. De cigano, também não. Nega maluca e enfermeira sensual? Nem pensar. Iemanjá, de jeito nenhum. Neste ano, homem vestido de mulher também entra na lista de fantasias que devem ser evitadas pelos foliões. Em meio ao alerta, o politicamente correto disputa espaço com a irreverência dos blocos, e o debate divide opinião.

Em entrevista ao jornal O Dia, a secretária executiva do Compir, Cássia Cristina da Silva, ressalta que a medida foi tomada após uma série de denúncias feitas por pessoas que se sentiram ofendidas com algumas representações. “Não estamos moldando o comportamento de ninguém. Não é uma ordem, é uma orientação para que todos possam se divertir e não discriminar ninguém. Os anos estão mudando e essa é uma ótima oportunidade para se aprender e se desconstruir”. 

Tradição

E por que se vestir de mulher não pode? Segundo a cartilha, “além de ser machista e desrespeitoso com as mulheres”, a fantasia é “preconceituosa com as pessoas trans e apenas reforça os estereótipos de gênero”

“Alguns homens vestidos de mulher apresentam o feminino de forma muito caricatural, de forma ridícula. Acaba mantendo a lógica de inferiorizar o feminino. No caso de nós, pessoas transexuais, gera um constrangimento. Eu sou uma mulher travesti, transexual, e no Carnaval quando vou a padaria as pessoas perguntam se estou fantasiada, eu estou apenas indo comprar pão. Assim é a minha identidade, não é fantasia”, destacou ao Dia, a criadora da ONG Transvest, Duda Salabert.

Comemorando 45 anos de existência, o tradicional bloco de pré-Carnaval Banda Mole espera atrair uma multidão de foliões sem deixar para trás a principal característica da banda: os homens vestidos de mulher. “Não vamos seguir a orientação. Repudiamos e lutamos contra qualquer tipo de preconceito, mas desde que não haja uma série de bobagens descabidas e exageradas. Querem um Carnaval engessado? O Carnaval não tem regra. A regra é bom humor”, destaca um dos fundadores da Banda Mole, Luíz Mário Jacaré. 

Prática de “blackface” também deve ser eliminada, diz nota

Pelas ruas, é comum encontrarmos pessoas fantasiadas de “Nega Maluca”, colocando uma peruca afro, passando batom vermelho e, às vezes, pintando o corpo e o rosto de preto. “O uso de perucas ‘blackpower’, ‘nega maluca’, ‘dreadlocks’ e toucas com tranças (…) se traduzem como desrespeito aos símbolos da resistência negra”, cita a cartilha publicada no “Diário Oficial do Município”. De acordo com o texto, a nota visa fomentar um ambiente de respeito e sem práticas racistas. O texto será compartilhado com os blocos e demais parceiros no Carnaval. (Aratu)

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