A guerra no Oriente Médio tem provocado efeitos diretos nas exportações brasileiras de carne, com aumento expressivo nos custos logísticos e redução no volume de embarques para a região.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, o valor do frete marítimo por contêiner refrigerado mais que dobrou, saltando de cerca de US$ 2.800 para até US$ 7.000. A alta está relacionada às dificuldades em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, além de riscos e redirecionamentos no transporte internacional.
Os impactos também foram sentidos nas exportações de carne bovina. Em março, o Brasil embarcou 18,2 mil toneladas para a região, queda de 20,5% em relação a fevereiro. A receita também recuou, passando de US$ 137,5 milhões para US$ 115,6 milhões, redução de 15,9%.
Entre os países mais afetados estão Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar, Iraque e Arábia Saudita, todos com forte retração nas compras.
Apesar do cenário adverso, o setor de carne de frango apresenta maior resiliência. Mesmo com uma queda de 19% nos embarques para o Oriente Médio, o Brasil exportou cerca de 100 mil toneladas para a região.
No mercado global, porém, os números seguem positivos. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, as exportações totais de frango chegaram a 504,3 mil toneladas em março, alta de 6% na comparação anual. A receita também bateu recorde, com US$ 944,7 milhões.
A retomada das compras pela China, após restrições sanitárias anteriores, ajudou a impulsionar os resultados. Outros mercados importantes, como Japão, África do Sul e a União Europeia, também ampliaram suas importações.
O cenário mostra que, apesar das dificuldades no Oriente Médio, o setor segue sustentado pela diversificação de mercados e pela demanda internacional aquecida.


