Covid: 70% dos municípios mantêm dados sobre vacinação desatualizados

Pessoas com 58 anos serão vacinadas contra Covid-19 em Salvador — Foto: Jefferson Peixoto/Secom

Em 70% das cidades brasileiras, os registros de aplicação das doses de vacinas contra a Covid-19 não estão atualizados segundo norma do Ministério da Saúde. Até o momento, dados da campanha nacional de imunização de 3.875 dos municípios do país estão atrasados, ou nem mesmo foram preenchidos, no OpenDataSus, banco de dados da pasta.

Os registros das aplicações de vacinas são feitos no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), plataforma criada pelo Ministério da Saúde para que estados e municípios enviem os registros de doses aplicadas.

É a partir dessas informações que especialistas, e o próprio Ministério da Saúde, realizam o acompanhamento do ritmo da vacinação e o avanço para novos grupos prioritários. Sem elas, políticas públicas para distribuição de imunizantes ficam menos eficientes.

Segundo norma informativa da Secretaria de Vigilância em Saúde, o tempo máximo para envio de informações a respeito da vacinação é de até 48 horas, isso levando-se em consideração que o estabelecimento no qual o cidadão foi vacinado não tenha acesso à internet. Para os que possuem acesso à rede, o envio de dados deve ser feito diariamente.

A norma se encontra explicitada também no Plano Nacional de Vacinação (PNI), ao qual todas as entidades governamentais do país devem seguir para a campanha de vacinação contra a Covid-19.

Existem ainda 47 cidades onde as informações sobre indivíduos vacinadas estão há mais de um mês com atraso nos microdados de vacinação. Outros 603 municípios estão com ao menos 11 dias de atraso na alimentação de informações.

Existem ainda 47 cidades onde as informações sobre indivíduos vacinadas estão há mais de um mês com atraso nos microdados de vacinação. Outros 603 municípios estão com ao menos 11 dias de atraso na alimentação de informações.

Para a diretora-executiva da entidade, Fernanda Campagnucci, a falta de qualidade dos dados apresentados pelo ministério pode trazer riscos de interpretações equivocadas de como está a situação da vacinação no país.

“É como nós estivéssemos tirando uma fotografia borrada. À medida em que temos mais dados inseridos (de forma incorreta) esse problema vai ficando pior, e temos, como consequência da falta de qualidade, a distorção das análises. Podemos interpretar os dados de maneira equivocada ou chegar a conclusões erradas olhando para essa base de dados”, afirma Campagnucci.

Em nota enviada ao Metrópoles, o Ministério da Saúde informou que os dados são atualizados “conforme o abastecimento feito pelos gestores locais de saúde”. A pasta não informou, no entanto, o que tem sido feito para melhorar a rotina de preenchimento dos dados por municípios e estados.

Em março deste ano, a pasta chegou a solicitar que gestores estaduais cobrassem dos municípios “mais celeridade nos registros de aplicação das doses da vacina contra a Covid-19”.

Na ocasião, o órgão respondia a um levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e das secretarias estaduais de Saúde, que mostrava apenas 200 mil registros de aplicações das doses diariamente. O número, segundo a pasta, era “muito baixo”.

Para Fernanda, a responsabilidade pela falta de dados deve ser compartilhada por todos: estabelecimentos de saúde, municípios, estados e o próprio ministério.

“O Ministério da Saúde deveria estar criando rotinas para validações desses dados, criar alertas e demandar, a partir de um certo atraso, a cobrança para os municípios. Não existe orientação sobre que tipo de informação deve ser preenchida, como, por exemplo, a questão da raça/cor (do indivíduo vacinado). É preciso orientação e monitoramento da qualidade”, completa a diretora da OKBR.

(Metrópoles)