‘Devemos rezar para que não se espalhem por aqui as variantes indiana e sul-africana’, diz pesquisadora da Fiocruz

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Pioneira no combate à Covid-19, a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo ficará feliz de estar errada, mas está convencida de que a partir do dia 1º viveremos o mais triste mês de maio de nossas vidas. Segundo ela, os indicadores atuais da pandemia mostram que o número de mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus continuará alto nos próximos dois meses. As variantes são outra preocupação, principalmente as indiana e sul-africana.

Por que este será o maio mais triste de nossas vidas?

Não queria ter que dizer isso e será uma alegria estar errada, mas este será o maio mais triste de nossas vidas porque o número de mortos continuará a subir. Todos os indicadores sinalizam que a matança continuará em maio e junho. Pense que em quatro meses de 2021 morreram mais pessoas por Covid do que em todo 2020.

Como chegamos a 400 mil mortos por Covid-19?

São 400 mil retratos do que não fizemos. Retratos da falta de vacinação e do baixíssimo distanciamento social. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com vacinação e com medidas não farmacológicas, isto é, distanciamento social, uso de máscaras e testagem em massa. O governo nunca distribuiu máscaras, ao contrário, seu uso foi desestimulado. Houve e há um discurso antagônico. Houve contestação da ciência. O governo não usou os meios de comunicação de massa para informar corretamente a população, e ainda faltou aos médicos uma retórica homogênea e com consistência.

Qual é o impacto das variantes do coronavírus?

As variantes são resultado da alta circulação do vírus e alimentam um círculo vicioso, com mais transmissão. Devemos rezar para que não espalhem por aqui as variantes indiana e sul-africana, contra as quais as vacinas da AstraZeneca e a NovaVax (sem previsão de uso no Brasil) não tiveram boa resposta. Precisamos acelerar muito o ritmo da vacinação. (Fonte: Extra Globo)