Em debate: vereador Délcio defende a reabertura do comércio em tempo integral; vigilância de S. A. de Jesus se posiciona contra

Foto: Reprodução/Voz da Bahia

Nessa segunda-feira (13) estiveram presentes no programa Meio-Dia e Meia, na Live do Voz da Bahia, o vereador da base do prefeito, Délcio Mascarenhas (PSB) expondo a sua opinião a favor da reabertura do comércio de Santo Antônio de Jesus e o coordenador de vigilância sanitária, Dr. Joan Souza contrário a essa posição do edil. Ambos explanaram suas convicções, além de comentarem sobre o uso ou não de medicamentos como: hidroxicloroquina e ivermectina na prevenção e tratamento a Covid-19. [ASSISTA O PROGRAMA COMPLETO ABAIXO]

DÉLCIO A FAVOR DA ABERTURA DO COMÉRCIO:

Segundo o vereador Délcio Mascarenhas, o fechamento do começo está atrofiando a economia do município, “quem está na linha de frente são as pessoas dos mercados e a grande maioria das pessoas que trabalham nos mercados não estão contaminadas com a Covid-19, então, os mercados estão abertos e superlotados de gente no município, a gente precisa entender que não existe nada cientificamente para provar que o fechamento do comércio vai barrar a pandemia”, explica.

DR. JOAN SE POSICIONA CONTRÁRIO A ABERTURA:

Por outro lado, o coordenador da Vigilância Sanitária Dr. Joan Souza explica que cientificamente existem poucos protocolos diante da pandemia do coronavírus, “o que se tem sobre os medicamentos utilizados para o tratamento do coronavírus são as próprias experiências médicas e a conduta de cada um. Sobre as outras medidas, a gente traz as experiências que foram adquiridas em outros países e que deram certo aqui para o Brasil, então quando a gente fala de comércio fechado, a gente vem da experiência de outros países principalmente Europa e China. O distanciamento social para um vírus que é transmitido pelo ar por gotículas é importante e a um certo contrassenso entre a abertura do comércio e esse distanciamento social. Isso a gente percebe no dia-a-dia quando o comércio está aberto há uma movimentação maior de pessoas nas ruas, e hoje com comércio mais restrito a gente percebe o esvaziamento da cidade”, relata.

ÓTICAS:

O vereador Délcio Mascarenhas por sua vez defende que o comércio deve ficar aberto e uma campanha para conscientizar a população sobre a prevenção do novo coronavírus deve ser feita, “precisamos fazer mais campanhas educativas para as pessoas entrarem nas lojas com máscara, para as lojas terem à disposição o álcool gel e cumprir todo o protocolo da vigilância sanitária. Um exemplo que não deveriam estar fechadas são as óticas. Os oftalmos passam receitas para a gente usar óculos e as óticas estão fechadas? Eu preciso ler com óculos, eu preciso usar óculos”, revelou.

CONSCIENTIZAÇÃO:

O coordenador da Vigilância Sanitária afirma que o fechamento do comércio não é a única medida de conter a proliferação da doença do município, “como não há um protocolo medicamentoso definido, toda a estratégia de ganhar tempo para que a gente possa estabelecer outras medidas de controle, como o aumento no número de leitos, inauguração do pronto atendimento para a Covid-19, então, enquanto isso que a gente vai ganhando tempo. É necessário a gente manter e reforçar mesmo que de forma impositiva, como tem sido feito, o fechamento do comércio para que a gente possa manter o distanciamento social. É bom esclarecer que não há dado científico quanto ao fechamento do comércio, o que a gente tem observado na pandemia do Covid-19 é a experiência adotada em outros países, então, o que aconteceu na Itália? O fechamento de todo o comércio, inclusive, com horários restritos para funcionamento de mercados, o que aconteceu na China? O que aconteceu na Alemanha? Na França? Em Portugal? Espanha? A culpa não é do comércio, é a conscientização das pessoas, porque não adianta o comércio está fechado, e as pessoas nas ruas, não adianta o comércio está fechado, e no final de semana as pessoas estarem participando de confraternização, não adianta o comércio está fechado e serem realizadas cavalgadas e aglomerar 100 ou 150 pessoas no local, então não são só as estratégias, é enquanto as pessoas não se conscientizarem, a nossa situação não vai mudar, a questão é que um comércio aberto há maior probabilidade das pessoas se encontrarem e se aglomerarem mais, mesmo com todo protocolo que seja estabelecido, mesmo com todos os cuidados que ocorre. Se fosse dessa forma os hospitais não teriam profissionais de saúde contaminados, porque não há nada com mais protocolo do que uma UTI”, explica.

“VILÃO”:

O vereador rebate e acredita que o comércio deve ser aberto em tempo integral, “não há nenhuma prova científica que o comércio fechado resolve o problema da pandemia, então, nós não podemos colocar a principal máquina de desenvolvimento da nossa economia, que é o comércio, como vilão dessa história. Nós podemos espaçar abertura do começo de uma forma mais longa para que as pessoas não fiquem com essa ansiedade, porque se você abrir o comércio de 8 a 13h da tarde, as pessoas ficam ansiosas em ir a rua, eu acho que essa estratégia de meio turno também não dá certo”, explana.

“DADO CIENTÍFICO”:

O coordenador da vigilância sanitária esclarece que dado científico tem que estar à parte nesse momento, pois a doença ainda é algo recente no país e explica que não há como comparar o comércio com as indústrias, “não há como usarmos dado científico em um período tão curto, o que a gente tem é experiência adquirida, dados científicos é uma coisa que é a parte, futuramente, talvez com estudos. Não podemos trazer abertura do comércio como dados científicos, nós podemos usar o bom senso e experiência adquirida que está longe da ciência. A diferença entre a indústria e o comércio é que: a indústria não tem acesso de clientes ao estabelecimento e ela pode ter um controle maior no efetivo de trabalhadores desde a aferição de temperatura, ao uso do álcool gel. Com o aparecimento dos sintomas ou afastamento, isso aí tem como ponderá com mais facilidade. No comércio aberto além dos profissionais, há aqueles clientes que você não sabe a origem e eles não têm a possibilidade de dizer ao proprietário se ele teve sintoma ou não teve”, relata.

TEMPLOS RELIGIOSOS:

Sobre os templos religiosos, Mascarenhas volta a defender a abertura destes estabelecimentos (veja aqui). Segundo ele, é preciso que as pessoas busquem alimento sua fé, “as pessoas precisam ter a oportunidade de adorar a Deus, eu acho que esse é o momento que precisam da fé e que precisa das pessoas mais próximas da palavra de Deus, e de ouvir a palavra de Deus. Quantas pessoas estão depressivas em casas? O maior foco de contaminação da Covid-19 é em casa que muitas vezes é para viver duas pessoas, estão povoadas com dez pessoas, então se essas pessoas estivessem nas suas atividades, no seu dia-a-dia, as pessoas talvez pudesse estar mais protegidas. Sobre os templos religiosos eu defendo o mesmo tratamento que o prefeito de Salvador, que o prefeito de Feira de Santana fez, acompanhou o decreto do governador e mantiveram no máximo 50 pessoas como protocolo, funcionando templos,” diz.

AGLOMERAÇÕES:

Sobre as aglomerações nas filas dos bancos, Joan explica que no início eram muito maiores porque as pessoas iam para as filas dos bancos até para pedir informações, “se hoje o comércio não está em uma situação pior é porque os bancos ainda estão abertos, porque se não, ninguém estaria recebendo nenhum tipo de benefício e não compraria nem pelo WhatsApp, nem retirada em porta de loja ou de qualquer outra forma. O que a gente tem feito e todas as mobilizações tem sido feitas por essa administração, é desde o Bombeiro Civil, a Secretaria de Ação Social com todos os agentes sociais passam nas filas dos bancos para tentar regulamentar, a Vigilância Sanitária faz sua parte, vem os desaglomeradores e cada momento a gente vem atuando de forma diferente. Nos mercados a gente foi aprendendo isso com tempo, pois ele não conseguiria controlar as filas. A gente agora delimita o número máximo de pessoas dentro de cada mercado de acordo com a área livre que tem estabelecida dentro dele. E importante dizer que se a gente não consegue estar presente em todos os locais, que a própria população sirva de fiscal nesse momento para nos ajudar a proteger a nós e nossas famílias”, apelou.

ASSISTA O DEBATE COMPLETO ABAIXO:

Reportagem: Voz da Bahia