O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como uma “forçação de barra” o pedido de condenação apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que pode levá-lo a até 43 anos de prisão. Em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (15), Bolsonaro reagiu com indignação à peça final entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral Paulo Gonet.
“Eu estou indignado com as alegações finais da PGR. Que acusação é essa? Que fumaça é essa? Querem me condenar a 43 anos de cadeia por isso? Não houve nem tentativa, nem cogitação de nada. É uma forçação de barra sem tamanho”, declarou o ex-presidente.
A PGR atribui a Bolsonaro cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência ou grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. As acusações foram encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
Além de Bolsonaro, o Ministério Público Federal pediu a condenação de ex-integrantes do governo, como os ex-ministros Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Anderson Torres, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, além do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier.
Na mesma entrevista, Bolsonaro também comentou a situação de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra nos Estados Unidos. Segundo ele, Eduardo está “sacrificando seu mandato” ao permanecer fora do país.
“Eduardo Bolsonaro está certo, lutando por liberdade para todos nós. Agora, no fim do mês, tem que decidir se volta ao Brasil ou perde o mandato. Tem que se reconhecer o trabalho que ele faz. É um garoto, mas é fantástico o trabalho dele. Injusto é ver gente aqui no Brasil sendo presa por emitir opinião”, afirmou o ex-presidente.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de pedir asilo político, Jair Bolsonaro negou veementemente. “Vou ser preso por quê? Por ter destruído o relógio em Brasília? Eu estava nos EUA. Isso é um crime impossível. Não vou pedir asilo se não cometi crime algum. É como o presidente Trump tem dito: ‘Caça às bruxas’. Vou enfrentar o processo. Vamos ver até onde eles vão”, disse.
O julgamento dos envolvidos no chamado “núcleo do golpe”, incluindo Bolsonaro, está previsto para ocorrer ainda este ano.





