O governo dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira (27) que emitirá vistos para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus familiares. A informação foi divulgada por uma autoridade do Departamento de Estado americano, após declarações do advogado mexicano Simón Levy, aliado do presidente Donald Trump, sobre uma suposta concessão de asilo político ao parlamentar. “O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, informou a autoridade.
No entanto, a emissão de vistos não significa, por si só, que Flávio recebeu asilo político. Os procedimentos são diferentes, e a manifestação oficial não esclareceu se houve uma decisão formal sobre eventual pedido de proteção internacional.
Aliado de Trump afirmou que senador teria recebido asilo
Mais cedo, Simón Levy publicou nas redes sociais que o governo americano havia autorizado a concessão de asilo político ao senador brasileiro. Na mensagem, ele também acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conduzir o Brasil rumo a um regime autoritário. “Posso confirmar que o governo do Presidente Trump autorizou a concessão de asilo político a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O regime autoritário do Brasil ficará furioso”, escreveu Levy.
O advogado, porém, não apresentou detalhes sobre o suposto procedimento de asilo. Dessa forma, a confirmação oficial sobre os vistos esclarece a possibilidade de entrada de Flávio e seus familiares nos Estados Unidos, mas não comprova a concessão do benefício migratório.
Ordem do STF e cancelamento de passaportes
O episódio ocorre após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26), o ministro determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) em até 24 horas e proibiu sua saída do Brasil.
Segundo as informações divulgadas, o senador não cumpriu o prazo, e a Polícia Federal cancelou os documentos na terça-feira (27). Apesar disso, naquele momento, Flávio não era considerado foragido, pois não havia mandado de prisão contra ele.
O senador também é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades.
Declarações ocorrem após eleição presidencial
A notícia surgiu dois dias após o segundo turno da eleição presidencial, no qual Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos, conforme o texto original. Após o resultado, o senador chegou a anunciar que pediria a anulação da eleição, embora o Partido Liberal (PL) tenha reconhecido o resultado das urnas.
Advogado defendeu oposição a Lula a partir dos EUA
Na segunda-feira (26), Simón Levy publicou um artigo intitulado “Operação Alba”. No texto, afirmou que Flávio deveria liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos. “Flávio Bolsonaro está deixando o Brasil e, segundo minhas fontes, liderará a resistência a partir dos Estados Unidos”, escreveu o advogado.
Em outra publicação, Levy afirmou que o senador já havia chegado em segurança ao território americano. Ele também alegou que uma operação estaria em andamento para protegê-lo e atribuiu ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, um papel na iniciativa. O mexicano relacionou o caso a uma disputa política mais ampla na América Latina e defendeu que Washington ampliasse a pressão sobre o governo brasileiro por meio de medidas econômicas. No entanto, não detalhou quais ações poderiam ser adotadas.



