A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta terça-feira para o uso de inteligência artificial na criação de conteúdos falsos utilizados para comercializar medicamentos e suplementos alimentares nas redes sociais. Segundo a agência, criminosos estão recorrendo aos chamados deepfakes, tecnologia capaz de produzir imagens, vídeos e falas falsas com aparência realista, utilizando a imagem de celebridades e até de médicos para promover produtos de saúde.
A estratégia busca transmitir uma falsa sensação de segurança e credibilidade aos consumidores. De acordo com a Anvisa, os produtos anunciados podem ser clandestinos, produzidos sem autorização, ou falsificados, imitando medicamentos e suplementos originais.
A agência orienta que os consumidores tenham atenção redobrada diante de anúncios nas redes sociais que utilizem a imagem de profissionais da saúde ou pessoas famosas para recomendar produtos, principalmente quando houver promessas de resultados rápidos ou tratamentos considerados milagrosos.
Maioria dos anúncios analisados era fraudulenta
O alerta da Anvisa também chama atenção para a dimensão das fraudes envolvendo produtos de saúde na internet.
Uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ) analisou 6,5 mil anúncios relacionados à saúde publicados nas plataformas da Meta entre abril e maio de 2025.
Segundo o levantamento, 76% dos anúncios analisados foram classificados como fraudulentos.
A utilização de inteligência artificial aumenta a dificuldade para o consumidor identificar uma publicidade falsa, já que vídeos e áudios podem reproduzir de maneira convincente a aparência e a voz de pessoas reais.
A Anvisa reforça que medicamentos devem ser adquiridos somente em estabelecimentos regularizados e que o consumidor deve desconfiar de produtos comercializados exclusivamente pelas redes sociais, especialmente quando não houver informações claras sobre fabricante, registro sanitário e procedência.
A recomendação é não comprar nem utilizar produtos de origem desconhecida e denunciar anúncios suspeitos aos canais oficiais das autoridades.





