Se pudesse falar com o adolescente que trabalhava como garçom e monitor de festas para ajudar em casa, Douglas Rocha Almeida daria um conselho direto: não desistir. Aos 31 anos, ele transforma essa perseverança em conquista ao tomar posse como diplomata do Ministério das Relações Exteriores.
Criado em Luziânia (GO), no Entorno do DF, Douglas é filho de Francisca Aparecida, diarista desde os 13 anos, e de um pedreiro. Desde cedo, conciliou estudo e trabalho, revisando conteúdos entre um pedido e outro no restaurante. A rotina era pesada, mas o objetivo era claro: mudar a realidade da família.
A aprovação veio após enfrentar um concurso altamente concorrido, com quase 9 mil candidatos para apenas 50 vagas. Douglas ficou entre os aprovados e também se destacou nas vagas reservadas, tendo sua nomeação oficializada em dezembro.
A trajetória foi impulsionada pela educação pública, bolsas de estudo como o ProUni, cursos de idiomas e políticas de apoio social que garantiram a sobrevivência da família em momentos difíceis. Para ele, essas iniciativas foram tão decisivas quanto o esforço pessoal.
Agora diplomata, Douglas defende um Itamaraty mais diverso e representativo, levando para a carreira a experiência de quem conhece de perto as desigualdades sociais. Seu maior orgulho? Cumprir a promessa feita ainda jovem: garantir que a mãe não precise mais trabalhar como diarista.


