Flávio Bolsonaro diz que foi intimado pela PF a entregar passaportes por ordem de Moraes

Senador afirma que recebeu a intimação ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro; decisão do STF também teria proibido o parlamentar de deixar o país

Foto: Charles Vieira/Equipe Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (26) que foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes e que está proibido de deixar o Brasil. Segundo o parlamentar, a abordagem ocorreu na rua, quando ele saía da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio disse que a ordem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país”, declarou.

A decisão estaria relacionada a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. O processo tramita sob sigilo. Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do STF informou que ainda não tinha informações sobre a decisão.

Flávio contesta justificativa para a medida

De acordo com o senador, a determinação teria como fundamento uma declaração feita pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 23 de outubro. Na ocasião, Eduardo defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse o segundo turno das eleições presidenciais.

“Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou Flávio.

Em entrevista ao programa Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder, Eduardo afirmou ser favorável à saída do irmão do país em caso de derrota eleitoral. O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e alega ser alvo de perseguição política.

Segundo informações divulgadas pelo portal g1, Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregue todos os passaportes, inclusive o diplomático, no prazo de 24 horas. A decisão também teria cancelado os documentos e proibido o senador de manter contato com Willer Tomaz, diretamente ou por intermédio de terceiros.

Senador anuncia pedido de cassação da chapa de Lula

Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio afirmou que não reconheceria o resultado do segundo turno e que pediria a anulação da eleição. Posteriormente, o senador declarou que pretende solicitar a cassação da chapa do presidente eleito.

“Vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “O que aconteceu: não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”.

A disputa eleitoral também foi marcada por questionamentos sobre o funcionamento do transporte público em cidades como Salvador (BA) e São Paulo (SP). Diante de relatos de redução do serviço, o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a extensão do horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h em todo o país, duas horas além do previsto inicialmente.

Um levantamento do g1, com base nos registros eletrônicos das urnas do Tribunal Superior Eleitoral, identificou 35.521 votos para presidente registrados entre 17h e 19h no domingo (25).

Parlamentares também acionaram Alexandre de Moraes e solicitaram a apreensão dos passaportes do senador. Entre os autores dos pedidos estão os deputados Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG).

Advogado também é alvo de investigação

Willer Tomaz é investigado em desdobramentos do caso relacionado aos descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Na sexta-feira (23), Alexandre de Moraes determinou a quebra dos sigilos da offshore Alcazar Holdings, administrada pelo advogado, além do bloqueio de valores de até R$ 6 bilhões e do cancelamento de seus passaportes, conforme informações publicadas pela Gazeta do Povo.

As medidas relacionadas a Flávio Bolsonaro e ao advogado integram uma investigação que tramita sob sigilo. Os elementos públicos disponíveis no relato não permitem detalhar integralmente os fundamentos da decisão judicial.

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