Governistas criticam fuga de Flávio Bolsonaro; oposição alega perseguição do STF

Parlamentares divergiram sobre a suposta saída do senador do país após a derrota eleitoral. Aliados alegam perseguição do STF, enquanto governistas questionam a decisão e mencionam investigações.

Valter Campanato/Agência Brasil

A suposta saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais de domingo (25) provocou reações de parlamentares governistas e da oposição nesta terça-feira (27), durante a primeira sessão da Câmara dos Deputados após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Deputados do PL defenderam a decisão atribuída ao senador e alegaram que ele é alvo de perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente do ministro Alexandre de Moraes. Já parlamentares da base governista criticaram a saída e relacionaram a situação a investigações e possíveis consequências judiciais.

Na tribuna da Câmara, o deputado Junio Amaral (PL-MG) parabenizou Flávio Bolsonaro pela decisão de deixar o país. Segundo ele, a medida demonstraria inteligência diante da suposta perseguição do Judiciário.

“Não é possível liderar uma oposição dentro de um território dominado. Ele fez certo”, afirmou o parlamentar, que também classificou a situação política brasileira como uma “ditadura”.

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também manifestou apoio ao senador em uma publicação na rede social X. Ele afirmou que Flávio não tem condenação nem julgamento em curso e criticou a determinação de Moraes para a entrega dos passaportes.

“Quase 60 milhões de brasileiros votaram nele. Em qualquer democracia, isso se chama oposição. Aqui, se chama alvo. Um pai que protege a família desse sistema não é fugitivo. É perseguido”, escreveu.

Governistas criticam decisão do senador

Entre os deputados alinhados ao governo Lula, as manifestações foram de crítica à suposta saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. O deputado federal Bohn Gass (PT-RS) questionou a conduta do senador e mencionou suspeitas relacionadas a possíveis vínculos financeiros.

“Ele não tem segurança na sua defesa? Ou ele sabe que tem empresas em paraíso fiscal, jatinho do Vorcaro. Ele foge e confessa que tem culpa do cartório. O bandido não pode esconder, ele foge”, declarou em plenário.

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) também ironizou a situação em um vídeo publicado no Instagram. Ela fez referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, segundo o texto original, está nos Estados Unidos, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Flávio disse que era o candidato da mudança. Mas só não disse que era da mudança de país. Nada novo sobre o sol, já que Eduardo fugiu para lá também, o pai só não conseguiu por incapacidade de seu plano de fuga. Brasil, alguns de seus filhos fogem à luta sim”, afirmou.

Informações sobre o paradeiro são divergentes

Inicialmente, um funcionário do governo dos Estados Unidos informou à CNN que Flávio Bolsonaro estaria a caminho da Flórida. Posteriormente, porém, a fonte afirmou que não havia clareza sobre o destino exato do senador em território americano.

As dúvidas sobre o paradeiro aumentaram após o veículo argentino Infobae noticiar que ele teria deixado o Brasil pela Argentina depois de perder a eleição para Lula. Em comunicado, o governo argentino informou que não havia registro de entrada do senador no país.

Uma fonte brasileira próxima à família Bolsonaro afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Conforme o texto original, ele é investigado pelo STF por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Bolsonaro nega irregularidades.

Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse os passaportes em até 24 horas. Como os documentos não haviam sido entregues até as 11h desta terça-feira (27), prazo estabelecido pelo ministro, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador, segundo as informações fornecidas.

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