O jornal argentino Infobae publicou, na madrugada desta terça-feira (27), uma reportagem segundo a qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcado em um avião particular com destino aos Estados Unidos. A campanha do parlamentar, derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, negou a informação.
Ao colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, afirmou que ele continua no Brasil. “Não saiu”, declarou na manhã desta terça-feira.
Jornal cita voo particular com saída da Argentina
De acordo com o Infobae, Flávio teria cruzado a fronteira utilizando um documento de identidade, sem apresentar passaporte. A reportagem afirma que ele seguiria para os Estados Unidos em uma aeronave particular com partida prevista de Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, às 2h desta terça-feira, no horário local.
O jornal identificou o avião como um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly SA. Conforme a publicação, a companhia teria solicitado autorização alfandegária e migratória para transportar quatro passageiros e três tripulantes.
A suposta viagem foi noticiada após Flávio afirmar que agentes da Polícia Federal o comunicaram sobre uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinaria a entrega de seus passaportes e o impediria de deixar o país.
Decisão sobre passaportes e investigação
Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo em que relatou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal ao sair da residência do pai, em Brasília. Segundo o senador, os policiais informaram sobre a determinação judicial para a entrega dos documentos.
A medida, conforme o relato apresentado por Flávio, teria sido determinada no domingo (25), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. A restrição estaria relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades.
O parlamentar também é citado em investigações sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção biográfica sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Ele nega as acusações.
Campanha muda estratégia após derrota eleitoral
Em outra frente, Flávio teria desistido de pedir a anulação da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo informações atribuídas à Folha de S.Paulo. A iniciativa havia sido cogitada sob o argumento de que a prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, poderia comprometer o resultado.
De acordo com a publicação, aliados e advogados avaliaram que o pedido teria pouca sustentação jurídica. Entre os políticos que teriam defendido o recuo estaria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A estratégia discutida pela campanha seria apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) para pedir a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder econômico. A eventual ação dependerá da análise da Justiça Eleitoral, e as alegações não comprovam, por si só, irregularidades no processo eleitoral.
Até o momento, a informação sobre a suposta saída de Flávio Bolsonaro do Brasil permanece contestada pela própria campanha.
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