A atual administração de São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador, liderada pelo prefeito Antônio Calmon (PP), tem sido alvo de questionamentos públicos relacionados à transparência e à condução de contratos de alto valor.
Levantamento divulgado pelo site bahia.ba reúne críticas sobre a publicidade de atos oficiais, processos licitatórios e acordos firmados com empresas prestadoras de serviço no município.
Entre os pontos mais comentados está um contrato superior a R$ 21,3 milhões para coleta de resíduos sólidos, firmado com a empresa MM Limpeza Urbana por meio da Secretaria de Serviços, Conservação e Ordem Pública. O proprietário da empresa já foi investigado pela Polícia Federal na Operação Overclean, que apurou suspeitas de desvio de recursos e lavagem de dinheiro em diferentes cidades.
As reportagens também mencionam questionamentos sobre a clareza dos termos contratuais e dos critérios da licitação, o que gerou críticas de especialistas em gestão pública e de moradores.
Além disso, servidores municipais relatam atrasos frequentes nos salários nos últimos meses. Há ainda registros de que professores e profissionais da educação não teriam recebido, em determinado período, o adicional de um terço de férias, direito previsto em lei — situação que aumentou a insatisfação da categoria.
Órgãos de controle também já apontaram falhas administrativas ligadas a gestões do mesmo prefeito. Auditorias do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) identificaram problemas formais em termos aditivos de contratos de obras públicas, como ausência de justificativas técnicas e processos incompletos, resultando na aplicação de multa ao gestor. Apesar disso, não foram constatados sobrepreço nem paralisação das obras.
Moradores continuam registrando denúncias em canais oficiais, como a Ouvidoria do município, além de órgãos externos, incluindo o Ministério Público da Bahia e a Controladoria-Geral da União.
Até o momento, os questionamentos se baseiam em reportagens e apurações administrativas, sem decisões judiciais definitivas sobre os casos. O cenário, no entanto, amplia a cobrança por esclarecimentos e maior fiscalização na aplicação dos recursos públicos do município.





