Governo adia fim do subsídio da gasolina após nova alta do petróleo provocada por conflito no Oriente Médio

Equipe econômica reavaliará medida na próxima semana diante da instabilidade no mercado internacional.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O governo federal decidiu adiar a retirada do subsídio concedido à gasolina após a nova valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a situação será reavaliada na próxima semana.

Segundo o ministro, a equipe econômica pretendia anunciar o encerramento do benefício ainda nesta semana. No entanto, a alta superior a 5% no preço do barril de petróleo, registrada na quarta-feira (8), levou o governo a manter o auxílio por mais alguns dias. “Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente, como próximo passo”, declarou Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.

O subsídio foi criado em maio para reduzir os impactos da alta dos combustíveis causada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, o programa garante um desconto de R$ 0,44 por litro da gasolina, tanto para o combustível importado quanto para o produzido no Brasil, e inicialmente teria duração de dois meses.

A medida integra um pacote anunciado pelo governo em abril para amenizar os efeitos da crise internacional sobre os preços dos combustíveis. Além da gasolina, o programa contemplou subsídios ao diesel, ao gás de cozinha e ao querosene de aviação, além da isenção de tributos federais sobre o biodiesel e da oferta de linhas de crédito para o setor aéreo. O benefício destinado ao diesel foi encerrado em 1º de julho.

A decisão de manter o subsídio ocorre em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Na quarta-feira (8), forças norte-americanas realizaram uma ofensiva contra cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a operação atingiu sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones, instalações navais, centros logísticos militares e estruturas de vigilância costeira.

Os ataques ampliaram uma ofensiva iniciada na terça-feira (7), quando militares americanos já haviam bombardeado aproximadamente 80 alvos no território iraniano, incluindo embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. A escalada do conflito mantém o mercado internacional em alerta para possíveis impactos no fornecimento de petróleo, especialmente na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte da commodity.

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