Lorena Vieira, esposa de Rennan da Penha, denuncia racismo em agência do Itaú

Foto: Reprodução

Lorenna Vieira, mulher do DJ Rennan da Penha, afirma ter sido vítima de preconceito e racismo na quinta-feira (30), em uma agência do Banco Itaú. Ela parou na delegacia depois de ter ido à agência, que fica na Rua da Soja, 82, na Penha, Zona Norte do Rio, para desbloquear um cartão e sacar R$1.500.

Lorenna afirma que funcionários do banco agiram de maneira preconceituosa, como denunciou em sua conta no Twitter.

https://twitter.com/badgallore/status/1222991275651215362?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1222991275651215362&ref_url=https%3A%2F%2Fg1.globo.com%2Frj%2Frio-de-janeiro%2Fnoticia%2F2020%2F01%2F30%2Fmulher-de-rennan-da-penha-afirma-ter-sido-vitima-de-preconceito-e-racismo-em-agencia-do-itau.ghtml

Segundo Lorenna, as funcionárias acharam que as movimentações financeiras em sua conta eram suspeitas.

“Eu fui ao banco tirar um dinheiro e desbloquear um cartão, porque perdi cartão e o outro não chegou na minha casa. Eu tive que ir lá buscar. Chegando lá, deu que estava bloqueado. Aí elas (as funcionárias) começaram a falar ‘ah, o banco pode achar que é fraude, que você é laranja’ e me deixaram lá esperando”, contou ela ao G1.

Ela diz que, sem receber maiores explicações ou avisos, acabou sendo levada para a delegacia.

“Elas (as funcionárias) estavam falando que ‘entrou uma quantidade de dinheiro e a gente não sabe de onde vem’. Eu fiquei sem entender. Eles começaram a cochichar, os funcionários do banco começaram a me olhar. Eu não estava entendendo. A funcionária falou para a gente esperar um pouco e saiu. Ela não voltou mais, quem voltou foi a Polícia Civil. Três policiais, falando para eu ir para a delegacia”, narra ela.

Lorenna afirma que se sentiu ofendida e que acredita ter sido tratada de forma preconceituosa.

“Ela (a funcionária) falou: ‘Só falta mais 15 minutinhos para o seu problema ser resolvido’. E aí chegaram os policiais. Eu fiquei revoltada na hora. Fiquei muito chateada, as pessoas ali devem achar que eu fui presa ou eu não sei. É uma vergonha, ridículo. Eu me senti ofendida. Segundo eles, eu sou fraude, laranja. Segundo eles, aquele dinheiro não era meu”, contou ela na noite desta quinta-feira, ainda muito abalada.

Ela diz que foi tratada como criminosa e afirmou, ainda, que as funcionárias do banco não buscaram entender o que havia acontecido antes de chamarem a polícia.

Lorenna conta que foi levada, então, para a 22º DP (Penha). Ela afirmou que chegou a rasgar o documento de identidade por causa da reação dos policiais civis.

“Eu até rasguei minha identidade, porque o policial falou que era quase impossível saber se era eu, porque o meu cabelo estava liso, falou que era pra eu jogar minha identidade fora e fazer outra com o meu cabelo natural. Aí eu rasguei. Se é uma pessoa branca que tem o cabelo alisado e depois deixa encaracolar, ninguém faria isso”, disse.

Lorenna contou que, na delegacia, foi questionada várias vezes sobre qual era sua relação com Rennan da Penha e disse ter sido tratada com deboche.

Em nota, o Itaú se pronunciou sobre o caso.

“O Itaú Unibanco lamenta e se desculpa pelos transtornos causados a Lorenna Vieira nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, e vem tentando contato com ela para resolver a situação. O Itaú Unibanco esclarece que o procedimento adotado na agência é padrão em casos de suspeita de fraude, e não tem qualquer relação com questões de raça ou gênero. O objetivo era proteger os recursos de Lorenna de possível fraude, uma vez que já havia um bloqueio preventivo de sua conta corrente e era difícil identificá-la com o documento apresentado no caixa. O Itaú Unibanco acredita que toda forma de discriminação racial deve ser combatida”.

O banco não explicou, no entanto, o motivo pelo qual o perfil bancário de Lorenna foi tratado como suspeito.

O G1 entrou em contato com a Polícia Civil, mas, até a publicação desta matéria, não havia recebido respostas. (G1)

google news
senac