O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante um comício em Belém (PA), na noite de segunda-feira (28), que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas” ao falar sobre a resistência de homens aos exames para prevenção e diagnóstico do câncer de próstata.
“O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele”, afirmou Lula.
A declaração ocorreu após o presidente visitar o Hospital São João de Deus, em Belém, onde conheceu estruturas destinadas a procedimentos de alta complexidade. Na ocasião, foi realizada a primeira cirurgia robótica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região amazônica, segundo o Ministério da Saúde.
Lula também afirmou que existe resistência masculina aos exames de próstata por causa do receio de possíveis consequências do tratamento. O presidente citou a cirurgia robótica como um avanço para procedimentos dessa natureza.
“Um dos preconceitos que ele tem de descobrir que a próstata está inflamada, está com câncer, é porque dizem que, se fizer a operação da próstata, fica com impotência sexual. Ou, às vezes, fica com incontinência urinária, é obrigado a usar fralda. Veja, a robótica acabou com isso”, declarou.
O presidente defendeu ainda a ampliação do acesso a procedimentos de alta complexidade pelo SUS em outros estados da região Norte e em diferentes partes do país.
Campanha explica declaração
Após a repercussão da fala, a campanha de Lula afirmou que a referência às mulheres estava relacionada a exames ginecológicos preventivos, que, segundo a nota, fazem parte da rotina de cuidados com a saúde feminina desde a juventude.
A campanha também afirmou que a resistência masculina aos exames urológicos preventivos estaria relacionada à permanência de uma cultura machista.
Em nota, a equipe de Lula classificou parte da repercussão como uma tentativa de retirar a declaração de contexto. A íntegra do discurso também foi analisada por veículos de checagem, que apontaram que o presidente falava sobre exames médicos e não sobre abuso sexual.
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