O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou, nesta sexta-feira (16), os conflitos que marcaram sua relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A declaração ocorreu durante a cerimônia de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, no Senado Federal.
Lula e Alcolumbre ficaram cerca de quatro meses afastados após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, articulada pelo senador amapaense, representou uma derrota para o governo federal.
“Outro dia parecia que eu e vocês éramos dois inimigos. De vez em quando tem uma futrica colocando a inimizade entre o presidente da República, deputado, senador. Isso é uma bobagem”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente defendeu que divergências entre autoridades são naturais em uma democracia. “Se eu não pudesse divergir de vocês e vocês não pudessem divergir de mim, se eu fosse autoritário e vocês fossem autoritários, a democracia estava jogada no lixo”, declarou.
Lula cita governabilidade e agradece ao Congresso
Durante o discurso, Lula também mencionou as dificuldades de governar sem maioria parlamentar. O presidente destacou que o PT possui 70 deputados federais e nove senadores, mas afirmou que, mesmo com bancadas reduzidas, o governo conseguiu aprovar propostas importantes, entre elas a reforma tributária.
“Quando a gente vai governar, governa com as instituições existentes”, disse o petista, ao comentar a necessidade de articulação com o Congresso Nacional.
Lula ainda agradeceu a Alcolumbre e Motta pela aprovação da PEC que encerra a escala 6×1 e da proposta que estabelece aposentadoria especial para agentes de saúde, também promulgada nesta sexta-feira.
“Quero parabenizar o Congresso Nacional, Senado e Câmara, por estes dois presentes que deram ao povo brasileiro, que brigou muito, e dizer ao povo: vocês colocaram duas páginas importantes na nossa nova Constituição”, afirmou.
A relação entre Lula e Motta também foi marcada por conflitos. Em 2025, o governo federal e a Câmara entraram em confronto após a derrubada do decreto de reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e de uma medida provisória que previa aumento de impostos. A aproximação entre os dois foi retomada ainda naquele ano, facilitando a articulação para aprovar o fim da escala 6×1 na Câmara, em maio.
No Senado, a proposta ficou paralisada até agosto, quando Alcolumbre voltou a sinalizar disposição para avançar com a matéria. O texto foi aprovado em plenário na quarta-feira (14).
PL articula disputa pelo comando do Congresso
A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado deve ganhar força com a posse dos parlamentares eleitos para a próxima legislatura, em fevereiro de 2027. Segundo informações da Folha, o PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, articula para assumir o comando de pelo menos uma das Casas, com preferência pelo Senado.
O partido também busca viabilizar o impeachment de ministros do STF, iniciativa que depende de decisões do presidente do Senado. Nesse cenário, a legenda trabalha o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, para disputar a presidência da Casa.
Na Câmara, Hugo Motta reúne apoio de partidos do Centrão e deve buscar o respaldo de legendas da base do governo Lula. A articulação pode garantir os votos necessários para que ele permaneça no cargo por mais dois anos.
Para o governo federal, a permanência de Motta e Alcolumbre no comando das duas Casas é considerada importante para a articulação política. Em um eventual novo mandato de Lula, os atuais presidentes poderiam facilitar a relação com o Congresso. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o PT busca manter interlocutores que possam limitar as dificuldades do partido na relação com o Legislativo.
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