Uma pesquisa realizada pelo Barna Group, instituto internacional especializado em comportamento religioso, revelou que 64% dos cristãos autodeclarados nunca conduziram outra pessoa à fé em Jesus Cristo. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (17), ouviu 2.800 pessoas em 15 países — incluindo o Brasil — entre abril e junho de 2025.
Entre os principais dados, o estudo mostra que apenas 19% dos cristãos que frequentam cultos regularmente reconhecem ter responsabilidade pessoal em evangelizar. Outros 17% disseram não ter compartilhado sua fé nenhuma vez nos últimos 12 meses, e apenas 25% afirmaram se sentir seguros para responder questões básicas sobre suas crenças.
Para o colunista e analista religioso Clayton Hayes, os números revelam uma transformação cultural dentro das próprias comunidades de fé. “Nos concentramos excessivamente em programas sociais e conteúdo digital, negligenciando a simplicidade de conversas pessoais sobre fé”, avaliou.
Segundo o especialista, 78% dos entrevistados entendem que evangelizar é uma tarefa de líderes religiosos, como pastores e missionários, não de fiéis comuns. Ele atribui essa visão a fatores culturais como o receio de causar desconforto ou ser acusado de imposição de crenças. “A sociedade contemporânea evita afirmações absolutas. Isso gera medo de ofender e insegurança diante de possíveis rejeições”, disse Hayes.
Apesar da percepção comum de que a evangelização exige formação teológica, Hayes ressalta que “conduzir alguém a Cristo geralmente começa com amizade e disposição para compartilhar experiências pessoais”.
A pesquisa também contrapõe os dados à orientação bíblica expressa no livro de Mateus 28:19, que ordena: “Vão e façam discípulos”. O relatório classifica os resultados como um “alerta sobre negligência espiritual” e aponta a falta de confiança doutrinária como um dos principais bloqueios às iniciativas evangelísticas.
Entre as recomendações, o estudo reforça que pequenos gestos continuam eficazes — como orar por um amigo, contar testemunhos ou oferecer apoio em momentos de necessidade. “O cumprimento da missão cristã não se mede por conversões, mas pela fidelidade em apontar para Cristo”, conclui Hayes.
A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais. A amostra inclui cristãos protestantes, católicos e evangélicos que frequentam cultos ao menos uma vez por mês.


