O candidato reformista Masoud Pezeshkian venceu as eleições presidenciais do Irã neste sábado (6). Com 16,3 milhões de votos sobre os 13,5 milhões obtidos por Saeed Jalili, a vitória do reformista representa um novo panorama político iraniano, interna e externamente, com a perspectiva de romper com o rígido regime ultraconservador.
O novo presidente ocupa o cargo após a morte de Ebrahim Raisi em um acidente de helicóptero em maio deste ano. Diferente de Raisi, que nos anos 1980 chegou a condenar milhares de iranianos à morte por enforcamento, Pezeshkian surge com promessas mais moderadas, o que dá ao Irã – e às mulheres – a esperança de mais liberdade.
Crítico da moralidade presente na política e na polícia iraniana, Pezeshkian pretende “relaxar” a lei sobre o uso obrigatório de véu para as mulheres, como uma das maneiras de frear a repressão a que elas são submetidas.
- Número de mortos por terremotos na Venezuela sobe para 1.430; mais de 50 mil seguem desaparecidos
- Conceição Gonzalez cita Platão ao anunciar pré-candidatura à deputada federal: “O castigo dos bons que não entram na política é serem governados pelos maus”
- Justiça manda soltar Rodrigo "Farinha" e outro investigado pela morte de adolescente em Salvador
Em setembro de 2022, por exemplo, o agora presidente se mostrou solidário aos manifestantes anti-regime que criticavam a morte de Masha Amini após ter sido detida pela Polícia da Moralidade no Teerã. A jovem de 22 anos foi acusada de infringir o código de vestimenta feminino por ter deixado uma mecha do cabelo aparecer.
Dentre os principais desafios, Pezeshkian terá que lidar com o problema econômico vivido pelo Irã, principalmente devido às sanções internacionais. Contrariando as antigas gestões, que não realizavam negociações internacionais, o reformista defende uma melhor relação com o Ocidente, visando até uma aproximação com os Estados Unidos.
A posse de Masoud Pezeshkian, no entanto, não significa uma mudança completa e imediata na política iraniana, já que o maior poder governamental permanece detido nas mãos do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O apoio aos grupos Hezbollah e Hamas, por exemplo, permanecerá em qualquer circunstância.





