Enquanto o Carnaval de Salvador caminha para o encerramento oficial nesta terça-feira (17), o movimento segue intenso nas Centrais de Apoio do projeto “Meu Corre Decente”. Longe dos trios elétricos, mas no coração da festa, mais de 140 toneladas de resíduos recicláveis já foram recolhidas desde o início da folia, resultado direto do trabalho de catadores e da articulação de órgãos estaduais.
A iniciativa é conduzida pelo Governo do Estado por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, com o apoio de outras pastas e de cooperativas que transformam resíduos em fonte de sustento e protagonismo social durante a maior festa popular do estado.
Entre os materiais coletados, o alumínio permanece como o item de maior valor financeiro, impulsionando ganhos imediatos para os trabalhadores. Já o plástico e o PET garantem volume constante, fortalecendo o ciclo da reciclagem e ampliando a renda diária de quem atua nas ruas e nos pontos de triagem.
Fiscalização, direitos e impacto social
Para o fiscal da Sema, Guido Brasileiro, o projeto vai além da limpeza urbana e se consolida como política pública estruturante. Segundo ele, a proposta atua simultaneamente na mitigação ambiental — evitando que toneladas de resíduos sejam destinadas a aterros — e na dimensão social, ao promover visibilidade e dignidade a trabalhadores historicamente invisibilizados.
A fiscal do Inema, Eliesandra dos Santos, que acompanha a operação no ponto de apoio de Cajazeiras desde o início, destaca o papel do projeto como porta de entrada para novos catadores. De acordo com ela, dezenas de trabalhadores da própria comunidade já foram cadastrados, muitos deles tendo o primeiro contato com cooperativas de reciclagem durante o Carnaval.
A atuação das equipes inclui ainda a verificação da pesagem correta dos materiais, o pagamento imediato aos catadores e a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A assessora jurídica da Procuradoria da Sema, Daiana de Jesus, ressalta que o monitoramento de dados por tipo de resíduo permite mensurar com precisão o impacto ambiental e econômico da ação.
Ao unir geração de renda, inclusão social e responsabilidade ambiental, o “Meu Corre Decente” consolida-se como um dos legados mais consistentes do Carnaval baiano, mostrando que a festa também pode ser instrumento de transformação sustentável.





